sexta-feira, 26 de agosto de 2011

Dois quartos e uma solidão









A voz que me guardava era uma bandeira súplice,uma passagem nova de ar pros pulmões,respirava,respirava e meu mundo percebia os labirintos e as romarias pedantes que perdi,de ter um isolamento solícito de saber levar as mãos à cabeça sempre e afastar-me de todos os meus rastros,de meus erros, daquilo que me esvaziava em cada realidade apresentada.







O que tinha era apenas um corpúsculo quedante, que nunca soube guardar bem as lembranças mais umbilicais,mais conhecidas.Eu era um passageiro intransigente pesquisando todas as fronteiras de minhas rodovias,das cercanias e fontes que divisavam padecimentos.Lucidez era o que eu queria voltar e incentivava.E o que eu pude montar nestas ausências,quantas casas me passaram pelo sol,e só eu sabia minha entendida fuga,meus meios de andanças ternas e regulantes que guardei.É que no final eu já havia encontrado as curvas certas,o poder e dever de senti-las requisitando tanto e tudo,e de antemão eu formava os moldes mais cobiçosos pra guiá-las;todas ali sacudindo trêmulas na agitação de seus braços longos em derredor.Afloravam com os imponentes galhos marrons um carinho de árvores para as cidades abertas que se perdiam em montes.Talvez isto me lembrasse um comportamento de ancião amigo,que entendeu a aurora da sua idade e os seus perigos e que podia reconhecer melhor o taciturno olhar reinando em outras pedrarias no barro úmido.O telefonema se combinou assim por horas,num resgate improvisado de conhecer todo o terraço e as limitadas condições do peitoril,de meus círculos de medo localizados dissecarem como num instante,seja em lágrimas e narinas soltas,por sobre meu peito de passagens e que protesta frio,rebate e protesta frio, e isto porque nem conto as pernas citadinas que não conhecem nada das direções.Porque minha madrugada insone me instaura outras consciências que nunca quis utilizar,mas seria bem sabido regrá-las em pastas.


Eu gosto tanto de deixar as lembranças bem escondidas e aparentes,registradas no número incandescente da temática dos beijos ou algo ou alguma coisa que importe à queima-roupa a vontade coberta de respostas; do coração sendo exigido pro combate à tarde na floresta.

A abstração me perseguiu a janta,o café morno que meus lábios souberam esquivar em sofridos goles sorvidos.Quando então a conversa exteriorizante ganha sala e eu fujo com meus livros,com meu jornais,com meus braços cruzados atingindo os céus sobre as árvores lá fora.Rememorando o automatismo de palavras de consolo.


E quantos beijos ainda não estão impregnados e pedem mais?Ah,esta descambada dos porquês,e que arranca um canteiro de conversas em tantas latitudes e nem quero somar aonde fica minha intensidade.De não conseguir achar minha própria força e olhar pro relógio esperando uma notícia de desculpas, de ficar tateando nervoso e apressado as coxas malgradas,massageando as panturrilhas secas,examinando os pés dedo a dedo num conflito de opereta de bocas sem vida.Os brios mais tarde tentam ganhar-me uma nova recolocação pras páginas,pro querer,e como eu poderia dizer não,pras obviedades e janeiro de respeitos?De um novo sino disparar pelos bancos e grama,rasgando os meus pântanos e limpando o meu marasmo aonde os olhos fingem em não arregalar?!


Eu não queria ser uma praça abandonada,não queria monologar por entre cortinas estreitas da minha varanda:e nestas sujeições aflitas,nestas circunstâncias irrompidas que derrubam várias melancolias, eu não acolhi o meu poço de horrores!É que quero ganhar novamente aquele teu sorriso mais escrito e de pecados,dos burburinhos que veemente particular te chamaria pra apelidá-los.Na sua última frase em que escondeu o choro e eu conheci muito bem.Eu queria examinar-me em cada centímetro dos poros,nos meus gritos mais brancos e desguarnecidos,sem estertores,sem entendimentos costumeiros,sem existir os castigos presentes e que crescem à minha volta.Eu respondo meu infenso debate violando sutilmente teus ouvidos pelo quarto, daquilo que travou minha língua morta,viola que morreu cordas e já nem arranha sustenidos.


Dedilha uma marca impiedosamente de música de espírito, que lhe chama muito bem pelo nome a se romper tamanha pelas miríades...

segunda-feira, 18 de abril de 2011

Agnes


Sim,o nome dela nem deveria importar, mas se chamava Agnes.Capítulo dirigente de coletar meus hábitos atenciosos,meu limbo espiritual,e psicanálises à flor da pele.
Agnes ficou em mim como a natureza que reflito,e quanto de seu cheiro atravessou minhas linhas de sensações.Seus olhos eram bem amendoados e chispantes,de um dourado escuro perceptível,parecendo esconder um cômodo passado racional nas retinas.Que até já havia consumido ou tentado esquecer os seus erros em outras e tantas viagens, mas acabou logo desistindo, porque tudo era um quê repentino e ficou incompreensível,de acolher rapidamente algo, entender algo,saber tudo;porque tudo no fim era em vão.
Um colar branco e longo se permitia até o decote negro,traduzindo e crescendo o célebre desejo nas minhas observações,e se possível dizer em maiores detalhes, justificavam muito bem os seios que se guardavam na roupa.
Rodava seus anéis nas pequeninas mãos com grande gracejo e calmaria,após isso,de saber dominar calada a soma e seriedade de sua vida;ia andando pela casa,admirando as pequenas peças que se abrigavam na estante, nos livros que eu sempre mudava de posição.
Como num rompante mágico me virava o rosto com grande sorriso,depois outro virar de rosto com uma curiosidade sugerida,e ela mal sabia;mais este meu coração já latejava tão forte,vivia de origens desconexas,era qualquer dizer de frases ou conversas retratantes na madrugada,que tudo ali me serviria de matéria pra ganhar seus caprichos-(sim, o pequeno músculo que bombeia reconhece e sabe)-queria interagir seu rosto de passagens e entendimentos e desejos, e eu contava isso aos poucos,num sentido especial,sem coincidências,no lado sedento e indiferente de mim na cama.
E quantas noites a insônia já havia me perseguido,e ficava numa angústia de horas a contemplar seu rosto como ponte para o meu sono.Eu desmentia todas as minhas camadas de ansiedade pro destino;pros hinos,porque o que contava em questão eram seus braços,seus instantes,nos meus desvarios visitantes que agradava.
Porque haveria de tudo em agir assim,um senhor capricho crescendo e tramando as essências e que já não dava mais pra esconder nada,desinibir o cinismo apertado que me punha em risco.Naquele momento eu não sabia explicar bem o que se passava,só sei que eu era apenas uma pessoa presa aos seus encantamentos,de tentar eliminar a absoluta fusão da alma,de clarear meus campos de perguntas,de libertar-me daquela redoma o qual me fazia escudo.
E ela vinha com sua calma e presença,de tocar-me à vontade com suas finas mãos ,e no meio módico das despreocupações,pedia pra passar hidratante corporal nas suas costas,num tom risonho e às pressas'Bem devagar,tá?' 'O que é isso?' 'É strawberries and Champagne!' Então eu me erguia de seu pequeno travesseiro rosa e ia conhecendo os seus ombros desnudos,vasculhando a ponta dos dedos sobre sua nuca suada,enquanto que sua face baixava entre os cabelos e se permitia ao descanso.
'Espere!' levantou-se breve e sem tirar-me o olhar,despiu-se da longa camisola negra que escondia bem a existência madura.
Voltou aos poucos com seu sorriso de: acusações, acontecimentos e interesses, ficou a imaginar...Coisa marota escancarando o espírito.Encarou-me com os amendoados vivos;com a fronte desesperada na minha direção.Vertigens,encanto natural de criança,instantes...Joelho sobre joelho foi investindo na cama, até chegar bem perto,manifestando vocabulários neutros,vocabulários aflitos.
'Agora tente esse aqui!É frapê de limão!'E me passou o outro hidratante, ajeitando o cabelo marrom até tomar forma de um pequeno rabo de cavalo,enquanto que eu acenava afirmativamente com a cabeça.Abracei suas panturilhas(duas colunas de certezas)-os pés tão suaves,as nádegas ao acaso brilhosas,e ela se debatia,comprimia às intempéries do prazer com grande lucidez.
'Your song' tocava ao fundo quando pegou-me pelo braço e como numa pequena sinfonia disse que me queria bem dentro dela,de não dizer nada,só estender-me convulso na carne,na inclinação de sexo e fronteiras de êxtases,de morder-lhe o flanco,maltratar suas costas com os marfíneos quentes.
Agnes ultrapassava sempre as minhas respostas,porque tinha propósito máximo e desafios,Agnes consumia o meu composto de criança servil e não dormia sem o seu travesseiro rosa.

sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011

Entendimentos


Não,não tinha nenhum ressentimento apossando-lhe a mente e tampouco expirava os pulmões à primeira menção das coisas,as suas memórias eram fiscalizações deformadas de poucos amores abstraídos pela vida.Acordava aos poucos,esticando os firmes braços pro céu e com os olhos ainda inchados, virava a cabeça pra direita e o que existia era apenas um porta-retratos vazio.
Havia esquecido filhos,dizeres,jornais,cartas.Um verdadeiro e absoluto mestre da solidão.Ou quem saiba ainda estivesse esperando àquela melhor impressão de floreios lhe surgir um dia,mais que ainda não havia aparecido,como anúncio de emprego no domingo.

Ele Pensava nisso enquanto jogava sozinho o cavalo no tabuleiro, e foi caminhando seriamente sua existência até a varanda ventilada, obedecendo os seus miúdos olhos claros pro sexto andar.
Havia estado naquela cidade por mais de trinta anos,sempre com sua atenção tímida de caminhar sozinho pelo centro,conhecendo cada centímetro de pedra levantada dos concretos, suas sancas de gesso retilíneas defrontando as largas paredes alvas das sacadas. Sabia conferir bem cada detalhe dos emoldurados de frisos dourados e pequenos,os arcos bem redondos que ganhavam extrema leveza na tarde.Respondia a conhecidos como um peregrino distante,com acenares curtos e rápidos, marcando uma suposta resposta de amizades.O chapéu lhe caía bem sob a careca rosácea,enterrando-se perfeitamente até o limite de suas sobrancelhas semicerradas.Vez ou outra retirava da cabeça para limpar a testa gordurenta com um lençinho roxo que ficava dobrado na lapela do paletó.Morava num prédio moderníssimo e quase não via razões de sair dele,gostava de Goethe mas não conseguira/tivera tempo de vender sua alma ao diabo!Era difícil objetar as profundezas de sua alma! Por fim e sem maiores cuidados de entender todos estes seus fracassos, aceitou o empreguismo inerente de ser apenas um matemático sem números.Houve certos dias em que cenas distraídas de sua íris ganhavam passado, um conjunto ingênuo de ter treze anos e interpretar muito bem o barulho dos trilhos do metrô em Montparnasse, onde ligeiramente dormitava quando voltava da escola. E ao chegar em casa,deixando os grossos livros sobre a mesa,contentava-se com a música existencial de'Mood indigo' e outras de Duke Ellington que rolava na vitrola quase todas os dias.
Ali enfiado entre dois travesseiros de pena brancos,confrontaria o seu pai cansado que voltava de alguma cervejaria.E se alimentava das pequenas impressões que o jazz acontecia.Ora despertava dentro dele esta escrita agonizante da saudade,parte de um sentimento que deixou e que vinha agora com um sentido confuso e especial,um gosto de imaginar como seus filhos estariam...Que fora tão desfavorável como pai...A música vem chegando com uma naturalidade bem oferecida,conversa a gravidade do tempo presente,e seu pai ainda permanece ali;dormindo os mais lindos sonhos no reinado de uma cama.Já era mais do que tempo para reformular sua cabeça,de encontrar-se publicamente com a senhora do sexto andar e lhe lançar um sorriso melancólico de trinta anos,trinta anos que divisou e impacientou a fala.Toma um banho,passa colônia francesa no corpo,se olha no espelho demoradamente,penteia os finos cabelos com certo ar de confiança,molha o rosto paradoxal e pesado,fica tentando se entender na linha incompreensível do ser,assobia em notas altas na saída de casa.
Se desloca com cem mil frases até o outro prédio.O porteiro pergunta pelo nome,ele responde: nome e sobrenome,faz-se então uma breve pausa e a porta elétrica se abre.Toma o elevador,a chave tetra gira duas vezes na porta,uma diminuta senhora perplexa e emocionada abre.Ele fica naquela manobra condenável de pensar o que dizer,convida-se pra entrar.Amanhã, seu pequeno porta-retratos prateado à altura da cômoda,terá um rosto novo pra viver entendimentos.

segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011

Pendências


Não,não sei se você vai querer ficar e depois atacar de megalômano e baixar os olhos enquanto mata mais uma vez a garganta com vodka,e vai deixar-me ajeitar os cabelos com a escova,e jogar Robert Schumann bem alto e bradar pelos quartos de que não precisa de analista e sentar na cadeira queimando seu Jose Piedras confirmando assim a sua impaciência.Eu já não sou mais aquela mesma menininha que você conheceu,sabe?Que ficava par oportunité de tudo que você controlava e aderia devagarinho,e que nunca deixei de odiar esta tua calça larga que teima em usar sempre nos domingos.Tenho alguns livros,um caderno de notas e um fichário rosa, pra mim isto é mais do que necessário pra passar minhas tardes.Porque sei que vendeu a televisão pro vizinho dizendo que aos poucos se livraria de todas nossas coisas.E logo vai chegando esta madrugada que tanto espero,rompendo claramente sua projeção pelo vidro do quarto e eu querendo esvoaçar loucamente estes meus cabelos negros pela praia vermelha,e mais tarde um pouco quem saiba;molhar os pés atabalhoados nas águas gélidas.Você ainda não percebeu nada meu querido,mas tem atravessado uma avenida de erros e medos na tua ridícula máscara.Eu não tenho mais tempo pra refletir sobre isso e nem quero, nem com estes teus cabelos brancos arrepiadinhos querendo um cafuné precipitado.Ah,mas porque você deixou-me assim neste estado querendo mais cigarros,de perder-me em qualquer bloco de rua e não me siga nas minhas aventuras.Ainda vai ficar com as magras mãos de veias saltadas azuis,tamborilando sobre a mesa da sala tentando entender o meu grito,ou porque Júpiter em câncer é assim mesmo, tem uma certa compaixão controlada mas que não dura tanto.Que eu nunca mais aceitarei esta mise en scène diária tua.Você rasgou meu único diário conhecido tentando acordar alguma atenção de ciúmes,e com ele todas as lembranças metálicas que preservei,talvez nos encontremos no elevador pantográfico,você tão inseguro e eu com meu mais novo perfume.Vai querer ficar por trás da janela tão inválido,alcançar alguma nuvem numa manipulação de despedida tortuosa.Porque eu estou sem meus avisos e eu faço os meus dias e você não observa a sua barba por séculos.Os meus saltos me empurram pra beleza e fico horas me olhando no espelho,que eu entendo bem da haute couture e já comprei verduras e fiz uma salada com bastante azeite e limão,e sei que vai descer novamente e procurar o Doca e pedir uma porção de:arroz,feijão,alguma carne e legumes, linguiça calabresa,couve,batatas e farofa,vai comprar o jornal esportivo e assistir o jogo no telão.Vai pedir duas doses de xiboquinha e rir sozinho batendo forte na mesa do balcão,e eu serei de outros enquanto não se vende este apartamento.Fique com sua prisão esboçada na carne e suor,no seu tabaco que peregrina cortinas aflitantes,porque eu compreendo muito bem estes meus úmidos olhos que vagam entre os orgasmos,no meu dizer acordada às três da madrugada revelando estranhas confissões e depois vir o alimento do sono.De acordar e abrir a geladeira beber uma água gelada e comer alguns frios que estão na tábua,escrever uma nota na porta e pegar um táxi,de aprender que a desilusão agora tem cheiro velho e a lascívia me dá outros contos pro caderno,e eu não estou mais insegura,e eu não estou mais insegura,jamais meu bem...

segunda-feira, 31 de janeiro de 2011

Prato à minuta

Em certo momento deixei o carro cinza ali; bem perto do meio-fio no centro da cidade, e dividida por vários postes carcomidos e mal iluminados. O motor ainda ficaria ligado até o meu retorno,e eu teria que ser bem rápido,saltar como um gato e entregar o bilhete na portaria com grande fachada azul.Era um dia destes que chovia fortíssimo e logo mais tarde eu ficaria totalmente encharcado e emburrado com os contratempos dos pingos, o chapéu se perderia pros ventos estranhando a ideia de ser independente,desviando-se de prédios corpulentos e janelas degradês.

Na correria atropelava panfleteiros com seus videntes charlatões,mendigos pedintes com grande clemência condenatória,senhoras com seus redingotes bem vistos,cartazes e cartazes de políticos metidos em seus ternos italianos,transeuntes protegidos sobre as marquises largas,restaurantes com seus caríssimos clientes cheirando a sonetos.

Não tinha ideia do que viria depois dali,depois que o cheiro abafado da celulose do envelope saísse de minhas mãos e ganhasse outra,só saberia que uma lembrança ficaria aposentada na estante da sala e mais tarde pediria um prato à minuta...

quarta-feira, 12 de janeiro de 2011

Qualquer mensagem, embora não houvesse mais possibilidades


"A essência da natureza" por Douglas Okada
Exposição na assembleia Legislativa do Estado de São Paulo

Museu de Arte do Parlamento de São Paulo

No
ite,23 de março de 1975,chove bastante neste verão.Os pingos que marcam o espelho d'água na calçada em pedra de cantaria,parecem moldar uma outra pessoa,um outro simbolismo coerente de mim.Àquele meu rosto que explode em círculos circuncêntricos perfeitos,na pequena poça marrom ovalada,reinando sobre os sacos de lixos orgânicos não sou eu, é um ser humano torto;mais enrugado e sem interesse que engaveta suas ruínas e pernas no apanhado de concreto.
Os meus pés decidem descansar sobre uma cadeira de madeira vermelha.No assento percebo pequenas lascas arrancadas com a ponta de um instrumento rudimentar.Eu não vejo nada em especial por esta madrugada calculista em que os bastidores dos olhos não velam nova histórias, não acham colinas gêmeas, não evidenciam aves de rapina assassinas sobrevoando as dunas temporãs, nem mesmo massa de pessoas sem assunto, conferindo seu dinheiro inseguro e aquela habitual conversa sobre o relacionamento.
Sim,neste provável labirinto eu aposentei o celular por dois dias,não que eu não quisesse entender certas ligações ou escutar a série de conselhos naturais que nos firmam na linha e questão de respeito/tempo,nada disso. Queria apenas adiantar e capturar meus elementos mais simples,os vestígios dos elos mais escondidos,certas coisas tácticas que a natureza suplica e não imaginamos porque a relação de fios e plasma é passaporte pra ignorância.A tecnologia muitas vezes roubou à nossa assistência de criatividades.A tecnologia nos deixa tão burros.E é por isso que o notebook vai cumprir com o mesmo papel,ficará também na mala do carro até segunda ordem.
A natureza me chama com uma intimidade decisiva,tenho vontade apenas de mar.
Foram estes mesmos tais dias em que o Old Parr serviu pra curar determinadas feridas,um xeque-mate no centro do meu coração.Todo mundo deve estar desesperado achando que algo aconteceu comigo e eu:(nem te ligo).Egoísmo da minha parte?Quem saiba!Talvez!Só não queria falar com ninguém,que respeitassem isso!
Ao menos eu deixei uma mensagem, como estes grandes suicidas clássicos que assim se perfazem:nada criticando a religiosidade ou as autoridades por seus temores, nada disso.Ali deve apenas existir uma linha clara,uma leve coerência ou vaga licença qualquer pros casos comuns.Ou nem isso;seria como os versos finais de Bandeira''
A paixão dos suicidas que se matam sem explicação.''
É engraçado e até demasiado tarde perguntar tanta coisa,bater com força na porta que emperrou e hoje não faço mais. Mateus estaria de folga esta tarde,ele conhece este meu amparo negativo,e sabe muito bem onde encontrar-me. Dali há quatro dias eu casaria e tinha que ponderar sobre todos aqueles motivos,mas já não queria mais casar-me,já não queria mais aquela companhia e suas declarações brancas.
Os meu pés são mapas de segurança, eles é que me guiam por :restaurantes, cidades mortas, bares mesquinhos que não servem a última dose,drogas possibilitadas,bandidos conspirativos,putas cheirosas,praças com bustos sem nome,janelas sem flores,pessoas mal informadas querendo conversar política.
Dobrei a calça azul,joguei os sapatos ao longe, agora eles decoram as pedras pontiagudas do morro.Meus pés sabiam e já diziam,por aquele corredor de igreja eu jamais passaria.Mas fui entender isso tarde demais.É que antes não havia nada sobrescrito
,nada que explicasse esta desarrumação de juízo.
O cheiro que provavelmente atravessa o pequeno beco direito e que me assusta,tem cheiro de bolo de mármore; minha mãe sempre preparava esse bolo quando eu ia pra escola.Eu tinha doze anos e assistia Gato Félix,e nunca houve combinação melhor do que esta;bolo de mármore e café.
Todo mundo se reunia na grande mesa forrada com toalha xadrez, Flor naqueles tempos adorava amarrar suas tranças em firmes e grossos cipós loiros, e bradava em bom tom que já estava na mesa.Cynthia sempre gostava do bolo também.Eu conheci a Cynthia num concurso de desenho,era pra quem melhor desenhasse o Félix.Acabei aceitando o segundo lugar com os traços do bichano,e ela tirou em primeiro.Nossos pais eram vizinhos,e meu pai gostava de fazer novas amizades com churrasco no domingo.Já Dona Greta,fazia teatrinho de fantoches com sua filha e os amiguinhos preenchiam toda a sala.Aos poucos a família (dela/minha) foram se conhecendo melhor.Sim meu caro leitor;Cynthia é minha noiva,sei que devia ter feito comentários,confirmar algumas coisas e votos na sala de jantar;qualquer coisa que ela melhor me exigisse,mas nada foi feito.
Ainda posso sentir a sua moradia de pernas no convite da cama,ela que agora com toda certeza do mundo deve estar me reprovando por horas!Com aqueles cabelos presos sempre à nuca,ela sempre gostou dos cabelos assim!E depois não conversaria muita coisa ao tirar os sapatos, apenas lentamente deitaria e surpreenderia minhas costas informando os beijos pessoais,que havia chegado em casa e evidentemente não ia querer dormir naquele grande espaço de tempo!'Você nunca cresceu mesmo né, seu grande idiota,sabe como ficou todo mundo?!O meu pai diversas vezes fôra ao IML,e eu gastei o dedo ininterruptamente apertando o send(vaso voando sem hesitar confirmando a tarefa de acertar-me a cara)...' E o Mateus que não chega,que tamanha demora é essa e ele sabe que eu estou aqui,é só pensar um pouco,reflita!A pintura de Deus carimba a sua identidade nos meus cristalinos,e eu posso respeitar com tamanha maestria suas tantas possibilidades
!Está bem ali,originando os seus trabalhos com pincéis,naquele azul vivo que se esconde por detrás das rochas, diante das procelas rebentantes que acorda o limiar das margens,e eu nos términos contemplativos fechando a concha da mão para escutar melhor as ondas.
Mais outros copos me chamarão nestes campos argilosos que friamente não quero ordens,e meramente o covarde se afogará em Thomas Parr.
Queria ser um pouco como minha mãe,nos seus trinta anos de relacionamento sempre viveu bem,gostava de bordar e a casa era um significado de quadros.Deixou-me apenas um relógio e um cordão azul que carrego no pescoço.Retiro uma pequena foto da carteira,ali com cortes retangulares bem grosseiros de tesoura de escola, me apresenta uma Cynthia com aparelho e um bonequinho na mão.A seriedade então me refreia tudo,até mesmo na beleza de Deus.Por que não disse nada?Eu não necessito de tempo para estudar meus papéis,nem sou personagem material que recusa trabalhos!
Vejo Mateus à distância,ao lado dele está Cynthia,Mateus não entendeu nada mesmo!


sexta-feira, 31 de dezembro de 2010

Ensaios dos cotidiano


Adentra o salão respirando os ares da livraria,não existe nenhuma pressa nesta mulher que embala os saltos negros habilmente.Vem com passadas de pernas reservadas,panturrilhas poderosas que montam a escala dos minutos.E minha importância já se vê patriota,declara a grande povoação de descobertas,de teorias, de acertar àquela linha de curvas e comitivas de andanças.Obtemperar a construção do desejo, tudo escondido por detrás dum livro rosáceo que apalpo sem comentar trechos.
Ela avança uma coluna jônica e mais outra,faz-me dobrar todo o juízo pro leste,na divisão das prateleiras azuis de fotografia.
E fica assim com sua procura mais que paciente,ressalvando a fina postura egoísta dos ombros,ganhando os nomes em dourado no dedo indicador, nos caprichos das capas e dos volumes,em autores,em linhas,acolhendo alheia os olhares num vasto inquérito,na verdadeira cadeia de saudades,e quando se vê; já está revisitando seus velhos amigos.
Quem me dera conseguir atingir os trinta passos para o território desconhecido e roubar a bandeira bem escondida debaixo das pedras.Eu quero lançar os dados,seis?Beleza,avanço seis.
Me perpasso pro canto de Noel,e já sei o que ele me diria:"
Linda pequena,Pequena que tens a cor morena,Tu não tens pena de mim,Que vivo tonto com o teu olhar,Linda criança,Tu não me sais da lembrança,Meu coração não se cansa,De sempre e sempre te amar..."Jogue os dados.Perca sua vez.Não acredito.Mais quem é aquele?Ei,Vai embora! Tire suas mãos do ombro dela,não dê este sorriso mais debochado.É algum amigo somente e está conversando e nada mais,daqui a pouco ele vai embora.Ah!olha lá o que eu estou dizendo?Apoderou-se de dois livros e já está saindo,isso,faça isso,vá pra direção do balcão que agora você me deixa mais aliviado.
Jogue os dados.Avance três passos.Me deparo com a sessão de culinária.Dali posso arriscar sua alma enérgica,cercada por uma fina voz que examina os recortes negros e que termina num queixo triangular pequeno. E a boca coberta por um pequeno brilho, parece revelar uma longa comitiva sentenciosa,quase me tirando todo o conforto,tirando meu ponto de lição pra outra prateleira.
Eu vou chegar ali pedindo informações, ela com certeza me ajudará.Me direciono para sua seção com as mãos no bolso e a fronte um pouco caída,escutando seus estudos numa confusão sentimental que me declara leves impulsos.Pergunto:
'An,poderia me orientar em algo?Eu não conheço quase nada de fotografia.'Ela reina num sorriso com uma estatística quase de poesia. 'Eu também não conheço muita coisa,sou apenas uma curiosa' Descubro então mais tarde que ela não é fotógrafa como achava,mas sim uma escultora. E ela descobre que eu não sou chef,mas sim jornalista.No domingo tiraríamos fotos no jardim botânico...