sexta-feira, 12 de julho de 2013

O som do piano perdido


As ruas mal iluminadas contrastavam com a sobriedade das paredes cinzas da rua.
Cartazes de velhos shows ganhavam destaque com seus tons chamativos e escarlates,as letras garrafais assumiam  suas linhas sobre o espaço do muro até a esquina onde ficava um velho bar conhecido da praça.
Na ausência em que se sucedia os meus pensamentos presos,algumas passagens ainda teimavam durar sobre os desterros recentes e a minha vontade de acender novos critérios era diário,como regar plantas na varanda com um cuidado extremo.
As retinas semi-abertas ganhavam o horizonte estranho,e a psicologia defasada do silêncio ardia incessantemente,tudo era um descontrole, uma tempestade involuntária de sentimentos rondando todo meu corpo.
O som do piano ainda acontecia e os dedos derradeiros se distraíam levemente nas teclas,era uma revisitação gostosa que se proporcionava aos ouvidos,quando a música distanciava a tarde e o relógio, e o convite de seu rosto registrava  ainda uma tentação de
tê-la de volta.
Os pés andarilhos e maltratados ainda era cercados de histórias e casas,arredores que passeou e observou de longe com certa saudade conhecida,madrugada de sábado chegando e parecia que o som ainda ganhava as velhas formas pela janela,espalhando suas notas por árvores e cercanias calmas de ventos.
Não que eu não tentasse sequer uma voz,paulatinamente embrutecido pela tristeza  e padecimentos constantes,nada disso,eu tinha uma confiança que nunca se apagava,de levar sempre envelopes e deixá-los no correio da casa,e não hesitava em momento algum  passar as linhas insatisfeitas pelas horas na sala,lembrando o piano,o cuidado que possuía ao virar as páginas,a serenidade sem-conta passeando pelas curvas dos corredores e a alma à espreita assumindo esta imobilidade,seu rosto tomando outra cor  e os braços dissidentes recapitulando as notas,entendendo as ações,era um rosto angelical em meio ao suor que brotava da testa.
E o puro pretexto de saber e tentar buscar novamente seus braços,fazia com que a caneta fosse um alicerce.
Uma alavanca destemida a abrir portas,uma saída que se punha na folha de papel.
Amanhã eu faria a passagem de novo,talvez tivesse a sorte de escutá-la naquele domingo movimentado com feira,amanhã eu poderia entregar meus sentimentos à porta.

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