quarta-feira, 17 de julho de 2013
(Horas vazias)
Nesse momento quando dei conta de mim,ainda exibia um certo sono,um clima tristíssimo invadindo minhas veias e peito,e que me remetia lançar os olhares e gestos vagos no decorrer das horas com grande lucidez,eu me sentia ilhado tentando compreender os seus entendimentos e apelos,tentando entender o meu rosto desconhecido e cansado.Abri então a pequena janela branca que dava pros fundos do prédio e onde ocorria a tradicional feira de
segunda-feira,mariscos era a atração principal do dia.
Acordara naquela manhã com meus fantasmas bem apresentáveis,descortinando sem mistérios cada atitude esquiva de levar o propósito da ligação mais à frente.Olhei em volta e tudo que via era apenas o telefone preto à espera,uma ou duas ligações quem saiba,em vez de esperar esse tremendo silêncio que seguia,tudo turbilhonando cedo na minha cabeça solitária,uma confusão de histórias e medo de perder seus sorrisos.
Examinei a carteira e ainda existia uma foto 3x4 dela, com os cabelos bem longos e negros,a boca ainda bem perdurante.
Eu nunca mais tivera contato desde aquela fatídica chuva,e este tempo incerto me carregando para tantas leituras,era uma fuga,um elemento castrador que alimentava o golpe da ausência.Vários livros espalhados e participativos pela cama,um cinzeiro vermelho e a antemanhã de frases que ainda me perturbava todo o pensamento.
A penumbra ganhando os quadros no quarto e que foi palco de tantas encenações de amor.Era a solidão do dia chegando mais intermitente,no interesse de ressentir os meus erros,de encontrar a minha cidade,acertar-me com o gosto de
vê-la novamente.
Rever este pouco que ainda me cabe nos ponteiros mortos,quando o cigarro alcançava apartamentos e o corpo apreendido por imagens e mundo supreendia,de tê-lo sido bem instantâneo e mágico,quando as risadas combinantes dominavam o espaço dos travesseiros.
A feira dava nova condição para rua larga onde os feirantes gritavam seus produtos,os carros passavam com certo cuidado e buzinas,e as pessoas maquinalmente despertas naquela alvorada, escolhiam frutas maduras para os filhos.
Eu mais ali adiante fiquei com as minhas dúvidas merecidas,faria ou não faria aquela ligação,ela receberia de antemão os meus pedidos de desculpas ou não...
E lá vai a sessão de bizarrices...por:
Jordan Duailibe
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quarta-feira, julho 17, 2013
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sexta-feira, 12 de julho de 2013
O som do piano perdido
As ruas mal iluminadas contrastavam com a sobriedade das paredes cinzas da rua.
Cartazes de velhos shows ganhavam destaque com seus tons chamativos e escarlates,as letras garrafais assumiam suas linhas sobre o espaço do muro até a esquina onde ficava um velho bar conhecido da praça.
Na ausência em que se sucedia os meus pensamentos presos,algumas passagens ainda teimavam durar sobre os desterros recentes e a minha vontade de acender novos critérios era diário,como regar plantas na varanda com um cuidado extremo.
As retinas semi-abertas ganhavam o horizonte estranho,e a psicologia defasada do silêncio ardia incessantemente,tudo era um descontrole, uma tempestade involuntária de sentimentos rondando todo meu corpo.
As retinas semi-abertas ganhavam o horizonte estranho,e a psicologia defasada do silêncio ardia incessantemente,tudo era um descontrole, uma tempestade involuntária de sentimentos rondando todo meu corpo.
O som do piano ainda acontecia e os dedos derradeiros se distraíam levemente nas teclas,era uma revisitação gostosa que se proporcionava aos ouvidos,quando a música distanciava a tarde e o relógio, e o convite de seu rosto registrava ainda uma tentação de
tê-la de volta.
tê-la de volta.
Os pés andarilhos e maltratados ainda era cercados de histórias e casas,arredores que passeou e observou de longe com certa saudade conhecida,madrugada de sábado chegando e parecia que o som ainda ganhava as velhas formas pela janela,espalhando suas notas por árvores e cercanias calmas de ventos.
Não que eu não tentasse sequer uma voz,paulatinamente embrutecido pela tristeza e padecimentos constantes,nada disso,eu tinha uma confiança que nunca se apagava,de levar sempre envelopes e deixá-los no correio da casa,e não hesitava em momento algum passar as linhas insatisfeitas pelas horas na sala,lembrando o piano,o cuidado que possuía ao virar as páginas,a serenidade sem-conta passeando pelas curvas dos corredores e a alma à espreita assumindo esta imobilidade,seu rosto tomando outra cor e os braços dissidentes recapitulando as notas,entendendo as ações,era um rosto angelical em meio ao suor que brotava da testa.
E o puro pretexto de saber e tentar buscar novamente seus braços,fazia com que a caneta fosse um alicerce.
Uma alavanca destemida a abrir portas,uma saída que se punha na folha de papel.
Uma alavanca destemida a abrir portas,uma saída que se punha na folha de papel.
Amanhã eu faria a passagem de novo,talvez tivesse a sorte de escutá-la naquele domingo movimentado com feira,amanhã eu poderia entregar meus sentimentos à porta.
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Jordan Duailibe
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sexta-feira, julho 12, 2013
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sábado, 20 de abril de 2013
Condenação oportunista
Ora se via debruçado e bem calmo sobre o balcão,não limpara os óculos e se empertigava pouco pela guisa de consolo que o retrato exclamativo sobre a mesa transportava em inúmeras vontades,sabia que a saudade lhe invadia noites tremendamente cansadas e rascunhou perdões não ensaiados no cérebro curvando a cabeça provavelmente pro quinto andar do prédio em que esganiçava mudo o rematado ogro particular que vivia'talvez não saia para regar as plantas'disse em voz baixinha!Finais de semana apresentando-se tão negativos,nem mesmo seu canivete jurava uma imagem impassível golpeando o cedro com traços cirúrgicos precisos e curiosos,uma natureza de linhas secamente escritas e que relatava pelas esprimidas letras a esperança da serventia da boca viver novamente morada.
Olhou o relógio intrigado pelo que a vaidade queria,as luzes todas estavam apagadas e a única chama que resplandecia sobre seus olhos era um fósforo descoberto ao acaso no bolso da camisa cinza,queria ainda ter motivos para viajar à Paris ou matar de uma vez o uísque empoeirado que morria penalizadíssimo entre o veredito de Camões e grossos volumes de Quixote,já era um próprio descuido em ter tantas invencionices e tantas impressões tiradas pra compra de feira que nunca fez,o papel relatando incômodos valores na geladeira branca e nunca guardou qualquer semana pra arrancar este peso de consciência e ir pras ruas,quem saiba ter a chance mínima de encontrá-la com aquele vestido rosa que conhecia bem ao vê-la na praça comprando lírios ,praticamente descoberta de pieguices de pessoas que falam mal ou contentar-se com seus cabelos escovados num chapéu bem sugerido,uma gargalhada espontânea e entusiasmada chamando o taxista e pedindo mais tarde ajuda pra levar as compras.
Não queria mais ficar esperando aquela loucura de olhar por debaixo da porta pra perceber se havia algum recado,uma carta de amor,queria mesmo era acertar uma nova folha pras teclas e preparar uma história que agradasse,que rompesse a condenação oportunista que nunca quis causar e deixar de tamborilar as várias perguntas leiloadas sobre o esquecimento neutro.Aproximar às narinas pra tinta,tentar entender porque as máquinas de escrever estão morrendo em larga escala,imperceptíveis senhoras que venceram séculos e hoje se aposentam em decorações de salas íngremes.
Era um chamariz desconcertante observar a pálida janela descascada,absolutamente preenchida de vasos e verde e nada mais restringia a ordem dos excessos e o que era difícil não era a espera,era o frio ao redor e as teorias cochilando sobre as estantes,sobre os acordos do medos que não respeitavam calendários e coração.Havia escrito várias páginas que nunca viraram cartas e três rasgadas que arriscou xingamentos e curioso que imaginava ou tinha mera suposição de como ela tocaria àquelas plantas,acreditando ser uma nova criança e inventando frases afogueando pétalas e raízes respondendo bem por seus crescimentos,as mãos bem sinceras socorrendo os minúsculos galhos,assim sabendo o rosto e nada hesitando em acompanhar com destreza o mesmo embalo.
Examinava fio a fio e interrogava-se moralmente dizendo que a cada dia mais parecia com seu pai,o que nunca quereria abrigar tamanha incumbência já que era plausível a reposta e relação de dois planetas tão diferenciáveis.
Porém morava uma estação de orgulho com sua própria chave escapando pelos poros e mais tarde apressando a ideia de que a solidão fazia refeições diárias ali,bem presente e incitando seu espírito.
Cadê seus prováveis braços informando canções e mencionando que o café estava definitivamente bom? E suspeitando o próximo filme a ser assistido e porque não sai logo e examina a janela,não deixe acabar todas estas cigarrilhas apanhadas e cartas que esperam pela sua gentileza,forçar um confessar fatalmente rasgado sobre minhas olheiras e súplicas.
Por que não compreende?Vai molhar as plantinhas,enquanto fico seguido de minhas teclas provocando um estranho estalo nada combinativo pela musicalidade maquinal,entregando ao porteiro meu corpo na pasta e observando o quinto andar sem coisíssima alguma de abrir a loja,ainda é muito cedo e eu ainda quero uma visita,perceber teu leve acenar sem pressa entre as samambaias,não quero pensar que amassou outra carta,quero deixar tudo bem apurado como álbum de família.
E lá vai a sessão de bizarrices...por:
Jordan Duailibe
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sábado, abril 20, 2013
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sexta-feira, 7 de dezembro de 2012
Giuliana
E observava a casa velha entre os abacateiros magros e descascados,casa velha que administrava os sonhos impotentes desde criança,no fim da pequena estrada de barro e pedras,na fatalidade do obscurecido sol que morria atrás do moinho,e que compreendia uma fachada branca com desenhos abordando naturezas primitivas e um entalhe indiano com folhas frondosas assumindo colunas,e que moderamente abria linha circular até atingir a porta de entrada cortada em ripas.
Vestia regata branca e azul índigo,cabelos molhados que exploravam os ombros curtos,duas argolas prateadas na orelha,alguns discos de rock progressivo debaixo do braço e três cigarros no bolso direito.
Os olhos perdidos,cegos,mediante os vitrais escarlates que reinavam sobre os cantos da sala e sofás,a foto da namorada que continuamente causava reconstrução pro seu estar no mundo,uma impertinente sensação que lhe cobria o sossego do corpo,a arrumação dos móveis à antiga que ainda guardava da mãe;ali,naquele ponto incomum em que discorria suas ideias,sentou sobre o carpete felpudo e deixou a agulha estender-se pelas janelas retangulares,atingindo o orquidário caseiro,a mesa de jacarandá com fruteira e dois vasos de louça que a prima havia trazido de Belo horizonte,invadia as cores de Monet e Renoir,das botas e chinelos,dos livros espalhados pela estante e o cheiro de grama molhada após chuva.
As sofísticas frases que alimentavam a espinha dorsal e que apelava pra uma espécie de estranha tristeza, carregando na carne e assumindo um andar desenfreante e torto até a vitrina,correndo contra sua nuvenzinha de horrores e retirando dali uma agenda com capa de alumínio arranhada.Alguns cartões antigos,páginas depenadas sobre o qual a mão folheou à convite do passado sem razões,alguns dizeres escuros proferidos,corações pintados e ordenados nos números de datas,nomes riscados,baralho de frases,seta indicada com a palavra 'medo' na letra C.
Não obstante conversava com seus sorrisos sem respostas,em cada página e em cada lembrar perdido;um rejuvenescimento contínuo,declarado,exercitante, tudo certo na espinha dorsal que pedia flexibilidade e limpidez.
Foi em setembro de 1968,gravata borboleta tirada da gaveta pra uso no catecismo,do cheiro particular do Bobó de camarão de Dona Zinha que mexia com perpetração leve,cozinhando a mandioca no leite de coco e mais tarde sendo levado pro liquidificador,amarrava um guelê branco farto e penduricalhos de penas com cores vivas,cheiro bom que me falta ao estômago até hoje de Dona Zinha,depois o bolo de macaxeira ralada crua e a tapioca servida com café encorpado na mesa xadrez,trazia o bule fumegando e xícaras douradas,naquele verão de arder terra eu ia ao catequismo e furtava terrivelmente cajus do Dr.Mauro com Biné,perto de onde o sr. Nicolau com sua fastidiosa tarefa, arrebentava madeira pra juntar lenha e eu descobria o mundo pela fechadura do quarto de hóspedes, magnético.Era a mistura do profano e religioso,coisas que resgatavam a pequena agenda e música,desejos uniformes,desejos coibidos e virgens que selava meus teatros, comicamente.
Eu já passava para o terceiro disco e mais algumas páginas,como pôde ter ficado ali;por tantas e tantas passagens e eu nem sonhar em
tocá-lo?
Vestia regata branca e azul índigo,cabelos molhados que exploravam os ombros curtos,duas argolas prateadas na orelha,alguns discos de rock progressivo debaixo do braço e três cigarros no bolso direito.
Os olhos perdidos,cegos,mediante os vitrais escarlates que reinavam sobre os cantos da sala e sofás,a foto da namorada que continuamente causava reconstrução pro seu estar no mundo,uma impertinente sensação que lhe cobria o sossego do corpo,a arrumação dos móveis à antiga que ainda guardava da mãe;ali,naquele ponto incomum em que discorria suas ideias,sentou sobre o carpete felpudo e deixou a agulha estender-se pelas janelas retangulares,atingindo o orquidário caseiro,a mesa de jacarandá com fruteira e dois vasos de louça que a prima havia trazido de Belo horizonte,invadia as cores de Monet e Renoir,das botas e chinelos,dos livros espalhados pela estante e o cheiro de grama molhada após chuva.
As sofísticas frases que alimentavam a espinha dorsal e que apelava pra uma espécie de estranha tristeza, carregando na carne e assumindo um andar desenfreante e torto até a vitrina,correndo contra sua nuvenzinha de horrores e retirando dali uma agenda com capa de alumínio arranhada.Alguns cartões antigos,páginas depenadas sobre o qual a mão folheou à convite do passado sem razões,alguns dizeres escuros proferidos,corações pintados e ordenados nos números de datas,nomes riscados,baralho de frases,seta indicada com a palavra 'medo' na letra C.
Não obstante conversava com seus sorrisos sem respostas,em cada página e em cada lembrar perdido;um rejuvenescimento contínuo,declarado,exercitante, tudo certo na espinha dorsal que pedia flexibilidade e limpidez.
Foi em setembro de 1968,gravata borboleta tirada da gaveta pra uso no catecismo,do cheiro particular do Bobó de camarão de Dona Zinha que mexia com perpetração leve,cozinhando a mandioca no leite de coco e mais tarde sendo levado pro liquidificador,amarrava um guelê branco farto e penduricalhos de penas com cores vivas,cheiro bom que me falta ao estômago até hoje de Dona Zinha,depois o bolo de macaxeira ralada crua e a tapioca servida com café encorpado na mesa xadrez,trazia o bule fumegando e xícaras douradas,naquele verão de arder terra eu ia ao catequismo e furtava terrivelmente cajus do Dr.Mauro com Biné,perto de onde o sr. Nicolau com sua fastidiosa tarefa, arrebentava madeira pra juntar lenha e eu descobria o mundo pela fechadura do quarto de hóspedes, magnético.Era a mistura do profano e religioso,coisas que resgatavam a pequena agenda e música,desejos uniformes,desejos coibidos e virgens que selava meus teatros, comicamente.
Eu já passava para o terceiro disco e mais algumas páginas,como pôde ter ficado ali;por tantas e tantas passagens e eu nem sonhar em
tocá-lo?
Desacertos,estações,domingos,
estudos,derrotas,condenações,
postais,musicais,namoros,
telefonemas,fotos,fotos e fotos e eu tentava sequenciar o campo de infantaria dos atrasos,e analisava a agenda em entender suas empalidecidas folhas e seus sábados e seus casos, e eu nada de saber dizer,nada de melhor definir o demasiado descaso de jogá-lo de lado.
Porque tantos maltratos barulhentos rodeando os passeios,vozes altas arranhando os ouvidos,e linhas irresponsáveis que foram crescendo no somar dos anos,o mundo não lhe pertenceu,chegou tarde pra entender os comportamentos,as frustrações,o longínquo parecer da sabedoria.
E agora são outras águas que descem sobre sua cabeça,sobre os telhados de louça onde esconde a Monark laranja aposentada na garagem.
Das aventuras cortando o riacho da mijada da velha,sinuoso leito em que atirava pedras e confessava segredos pros Umbuzeiros afastados,por que tentar agradar e nunca vir uma resposta de consolo?De tentar ser amado,tentar ajudar,ser interessante?
Ainda dava tempo de chamar a Giuliana,esperar a sua companhia avançar e tomar os severos acertos e pegar a Monark e subir os terrenos ajardinados com ela,desfazer aquela atmosfera cinzenta e a música então girar como passista de escola de samba,e o torrencial vagarosamente conduzir-se pras montanhas e descerem em curvas caudalosas,por entre pedregulhos e galhos secos,e teimar nas investidas das pedaladas e esquecer a última vez que o arenito amarelo polido fechou no enterro do pai com coroas,a pedra tapando o rosto e a volta sem um porquê de palavras,foi nesse mesmo dia que conheceu Giuliana,tão poucas linhas de conversas e uma ausência de séculos até o próximo encontro,Giuliana tinha 12 anos e usava uma jardineira verde,eu carregava uma gaita e um bloco de notas e detestava a minha gravata,fomos apresentados sem cerimônias e entre cochichos,e desde então nunca esqueci o rosto da menina de jardineira verde.
E se ela atravessasse insipidamente aquele matagal do jardim, e combinasse o seu vestidinho azul e flutuante,e cortasse as flores e chegasse até a porta e tocasse a campainha,do seu jeito séria,porque ela sempre aparentava feição séria,porém eterno sorrisos cobriam suas maçãs; e que depois gerenciasse uma sutil atenção e repousasse a firmeza dos olhares pela sala que respirava músicas,e somente o coração sabia o quanto eu precisava da Giuliana,decididamente.
Giuliana toca a campainha,eu escondo de novo o caderno pra vitrina,saberá quantos verões eu não irei procurá-lo novamente.
estudos,derrotas,condenações,
postais,musicais,namoros,
telefonemas,fotos,fotos e fotos e eu tentava sequenciar o campo de infantaria dos atrasos,e analisava a agenda em entender suas empalidecidas folhas e seus sábados e seus casos, e eu nada de saber dizer,nada de melhor definir o demasiado descaso de jogá-lo de lado.
Porque tantos maltratos barulhentos rodeando os passeios,vozes altas arranhando os ouvidos,e linhas irresponsáveis que foram crescendo no somar dos anos,o mundo não lhe pertenceu,chegou tarde pra entender os comportamentos,as frustrações,o longínquo parecer da sabedoria.
E agora são outras águas que descem sobre sua cabeça,sobre os telhados de louça onde esconde a Monark laranja aposentada na garagem.
Das aventuras cortando o riacho da mijada da velha,sinuoso leito em que atirava pedras e confessava segredos pros Umbuzeiros afastados,por que tentar agradar e nunca vir uma resposta de consolo?De tentar ser amado,tentar ajudar,ser interessante?
Ainda dava tempo de chamar a Giuliana,esperar a sua companhia avançar e tomar os severos acertos e pegar a Monark e subir os terrenos ajardinados com ela,desfazer aquela atmosfera cinzenta e a música então girar como passista de escola de samba,e o torrencial vagarosamente conduzir-se pras montanhas e descerem em curvas caudalosas,por entre pedregulhos e galhos secos,e teimar nas investidas das pedaladas e esquecer a última vez que o arenito amarelo polido fechou no enterro do pai com coroas,a pedra tapando o rosto e a volta sem um porquê de palavras,foi nesse mesmo dia que conheceu Giuliana,tão poucas linhas de conversas e uma ausência de séculos até o próximo encontro,Giuliana tinha 12 anos e usava uma jardineira verde,eu carregava uma gaita e um bloco de notas e detestava a minha gravata,fomos apresentados sem cerimônias e entre cochichos,e desde então nunca esqueci o rosto da menina de jardineira verde.
E se ela atravessasse insipidamente aquele matagal do jardim, e combinasse o seu vestidinho azul e flutuante,e cortasse as flores e chegasse até a porta e tocasse a campainha,do seu jeito séria,porque ela sempre aparentava feição séria,porém eterno sorrisos cobriam suas maçãs; e que depois gerenciasse uma sutil atenção e repousasse a firmeza dos olhares pela sala que respirava músicas,e somente o coração sabia o quanto eu precisava da Giuliana,decididamente.
Giuliana toca a campainha,eu escondo de novo o caderno pra vitrina,saberá quantos verões eu não irei procurá-lo novamente.
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Jordan Duailibe
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sexta-feira, dezembro 07, 2012
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quarta-feira, 22 de fevereiro de 2012
Blocos de concreto

Leve batida do gargalo no copo.A espuma cresce cobrindo todo o americano gorduroso e despenca plantando uma queda d'água assimétrica na mesa plástica vermelha.Algo de sonho natimorto talvez cobriu suas revisitações de protesto.Uma voz ganha ciceroneamento e mantém relação de respeito com seus anos imutáveis,anos burros,se misturando no lúpulo-compasso que o dedo arrisca desenho;na linha contada: indicador/médio.A angústia é uma nascente costumeira que se guarda como utensílios domésticos numa gaveta pérola.Na escada, observava uma senhora gorda noticiada de dores praguejando seu filho morto,era os conformes do destino,sequer palmilhou trinta anos nestes quatros cantos da morte pra saber o futuro.As construções surgiam e eram verbalmente guiadas pela militância do pastor vestido em rubro,blocos levantados sem assinatura de engenheiros abrigavam corpos e músculos atordoados na Capital, revelando o sonho escrito nos tijolos tortos dos morros,dos ingredientes do barro e cimento alheios ao contraponto da moral ou devoção de santos.
A rede suprapartidária de novos fiéis movimentava o latifúndio litúrgico,ganhando e contabilizando o bolso dos novos patrões emergentes.
Já foi benzido e iniciado por mãe Iná no Tambor de Mina.Abaô no meio da roda que ganhou guia e aconteceu alma!Acomete mais uma lembrança na suspeita do copo,ou será que foi a lágrima que ajudou?!Sob seu olhar evasivo distancia uma rodoviária suja,com poucos ônibus cinzas que contaminam praças e barraquinhas de vendedores que recebem dióxido de carbono da descarga diariamente,espera nervosamente a chegada de seu filho maranhense que nunca mais viu, vinte e cinco anos de espera,quando deixou a última conversa perdida na fonte do ribeirão seguindo pros afogados, e mais tarde; rodoviária.
Diz-se que o menino desde cedo cresceu aos costumes do avô Apolônio,que subia em palmiteiro no trançado de folhas de buriti, e ralava e prensava bem a mandioca pra fazer 'puba' pra mingau na boca da noite contida.Perto do amanhecer lavava o balaio aberto de vime, colhendo verdura e fruta madura no quintal,à tarde acabava a taipa de supapo misturando o barro arenoso com os pés, pro entramado de bambu verde que foi colhido no matagal da colina.
Apolônio procurava por Anhangá há tempos,e sempre chamava Carlinhos(o nego)-pra desbravar o mato de Viana com o canto reservado dos bigodinhos e cigarra-do-coqueiro, sob as macaúbas andadas que davam fartos coquinhos docinhos.Levava um punhado de tabaco no bolso caso necessitasse pleitear a embiara prometida com a visagem.Carlinhos já nessa época deixara de ser pequeno e conhecia a trilha como os antigos,metia o pé com cuidado cuidando das pernas pro nocivo não lhe pegar.
Os guarás deitavam vista de longe esperando hora desejável pros caranguejos-uçás,era hora morta de ataque,quando os crustáceos se escondiam no mangue, revolvendo-se no solo profundo da costa.
Nego sempre pensava no pai, quando maquinalmente colhia o último carinho ofertado na despedida do ônibus,último perfume borrifado do mercado de seu Moisés,as mãos contritas e suadas que agarravam a barra de ferro na subida da porta,um olhar demorado aguardando o futuro e um apanhado de placas apontando onde estava a cidade grande.
Ele recebia o seu interlocutor mais intencional por cartas semanais deixadas na caixa postal dos correios,contando sua aventura por viadutos e ruas,na tresloucada distância entre pessoas e preços e prata,nos bares que descansava o trabalho,nas manhãs nevoentas que a face arriscava o frio.Na sua mente,a única coisa que ainda contava presença,era a espera da república da democracia fazer agitação nos dias fechados de cólera.Contou sobre o pequeno quarto alugado e a bacia de alumínio pro rosto,duas velas vermelhas penduradas no criado mudo provençal,espelho arranhado na porta com vários lembretes,moringa de barro e uma rede velha em que se deita empurrando o pé na parede, pra adquirir catarses e sono.
Quando quer mulher procura a Doralice,que chama as meninas pra acabar com seu fogo.'Ali menina,lava tudo ali, na bacia!'A puta de primeira viagem não entende os ritos,e confusa,tenta assimiliar o que o moço barbudo quer.'Ali mulher!Eu não tenho o dia todo!Se lava ali,tá vendo?Na bacia à sua frente,na mesa baixa!'Conta ainda em folha pro filho, que o sexo é seu desabafo pras instabilidades reinantes,porque já não está tendo mais forças pra vencer,porque suas limitações definharam, e é somente no gozo, que encontra respostas de continuar tentando ser super-homem!
'Por que você coloca aquelas velas vermelhas acesas,em cima do criado mudo?Eu tenho medo de macumba!'
'Ora,largue de falar besteiras mulher!Tem nada de macumba em acender velas,elas foram feitas pra ofertar!' 'Minha mãe sempre falou que tem essa coisa de diferença de cores,eu não estou gostando,não quero essas velas perto de mim!' 'Se não está gostando,arrume suas coisas e deixa eu dormir!' Se calou então, desafiando medo na réstia da chama dançarina,que ficava em cima de uma latinha de chocolate.Puxou o braço moreno pra bem mais perto,sufocando parte da garganta e peito, e ficou assim na morada incômoda até dormir.
Nego chega às três da tarde de uma quarta-feira de novembro,o rosto não mudara nada de menino,apenas o corpo que cresceu como touro.Vestia camisa listrada e botas,carregava uma mala curvim xadrez com bordas douradas arredondadas.Abraçou longamente o velho até quase lhe partir as vértebras,lhe entregou a carta que Apolônio deixara antes de morrer,e ficou parado ali,por certo tempo imemorial;tentando compreender ou crer absorto naquilo tudo que chamava de:momentos.Nego lhe toca o ombro e diz que quer conhecer o bar que ele tanto falava,ele o observa com lágrimas presas, e passam a tarde como pai e filho,amanhã estariam levantando blocos e o que divizava curvas já não tem mais distância.
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Jordan Duailibe
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quarta-feira, fevereiro 22, 2012
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sexta-feira, 26 de agosto de 2011
Dois quartos e uma solidão

A voz que me guardava era uma bandeira súplice,uma passagem nova de ar pros pulmões,respirava,respirava e meu mundo percebia os labirintos e as romarias pedantes que perdi,de ter um isolamento solícito de saber levar as mãos à cabeça sempre e afastar-me de todos os meus rastros,de meus erros, daquilo que me esvaziava em cada realidade apresentada.
O que tinha era apenas um corpúsculo quedante, que nunca soube guardar bem as lembranças mais umbilicais,mais conhecidas.Eu era um passageiro intransigente pesquisando todas as fronteiras de minhas rodovias,das cercanias e fontes que divisavam padecimentos.Lucidez era o que eu queria voltar e incentivava.E o que eu pude montar nestas ausências,quantas casas me passaram pelo sol,e só eu sabia minha entendida fuga,meus meios de andanças ternas e regulantes que guardei.É que no final eu já havia encontrado as curvas certas,o poder e dever de senti-las requisitando tanto e tudo,e de antemão eu formava os moldes mais cobiçosos pra guiá-las;todas ali sacudindo trêmulas na agitação de seus braços longos em derredor.Afloravam com os imponentes galhos marrons um carinho de árvores para as cidades abertas que se perdiam em montes.Talvez isto me lembrasse um comportamento de ancião amigo,que entendeu a aurora da sua idade e os seus perigos e que podia reconhecer melhor o taciturno olhar reinando em outras pedrarias no barro úmido.O telefonema se combinou assim por horas,num resgate improvisado de conhecer todo o terraço e as limitadas condições do peitoril,de meus círculos de medo localizados dissecarem como num instante,seja em lágrimas e narinas soltas,por sobre meu peito de passagens e que protesta frio,rebate e protesta frio, e isto porque nem conto as pernas citadinas que não conhecem nada das direções.Porque minha madrugada insone me instaura outras consciências que nunca quis utilizar,mas seria bem sabido regrá-las em pastas.
Eu gosto tanto de deixar as lembranças bem escondidas e aparentes,registradas no número incandescente da temática dos beijos ou algo ou alguma coisa que importe à queima-roupa a vontade coberta de respostas; do coração sendo exigido pro combate à tarde na floresta.
A abstração me perseguiu a janta,o café morno que meus lábios souberam esquivar em sofridos goles sorvidos.Quando então a conversa exteriorizante ganha sala e eu fujo com meus livros,com meus jornais,com meus braços cruzados atingindo os céus sobre as árvores lá fora.Rememorando o automatismo de palavras de consolo.
E quantos beijos ainda não estão impregnados e pedem mais?Ah,esta descambada dos porquês,e que arranca um canteiro de conversas em tantas latitudes e nem quero somar aonde fica minha intensidade.De não conseguir achar minha própria força e olhar pro relógio esperando uma notícia de desculpas, de ficar tateando nervoso e apressado as coxas malgradas,massageando as panturrilhas secas,examinando os pés dedo a dedo num conflito de opereta de bocas sem vida.Os brios mais tarde tentam ganhar-me uma nova recolocação pras páginas,pro querer,e como eu poderia dizer não,pras obviedades e janeiro de respeitos?De um novo sino disparar pelos bancos e grama,rasgando os meus pântanos e limpando o meu marasmo aonde os olhos fingem em não arregalar?!
Eu não queria ser uma praça abandonada,não queria monologar por entre cortinas estreitas da minha varanda:e nestas sujeições aflitas,nestas circunstâncias irrompidas que derrubam várias melancolias, eu não acolhi o meu poço de horrores!É que quero ganhar novamente aquele teu sorriso mais escrito e de pecados,dos burburinhos que veemente particular te chamaria pra apelidá-los.Na sua última frase em que escondeu o choro e eu conheci muito bem.Eu queria examinar-me em cada centímetro dos poros,nos meus gritos mais brancos e desguarnecidos,sem estertores,sem entendimentos costumeiros,sem existir os castigos presentes e que crescem à minha volta.Eu respondo meu infenso debate violando sutilmente teus ouvidos pelo quarto, daquilo que travou minha língua morta,viola que morreu cordas e já nem arranha sustenidos.
Dedilha uma marca impiedosamente de música de espírito, que lhe chama muito bem pelo nome a se romper tamanha pelas miríades...
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Jordan Duailibe
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sexta-feira, agosto 26, 2011
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segunda-feira, 18 de abril de 2011
Agnes

Sim,o nome dela nem deveria importar, mas se chamava Agnes.Capítulo dirigente de coletar meus hábitos atenciosos,meu limbo espiritual,e psicanálises à flor da pele.
Agnes ficou em mim como a natureza que reflito,e quanto de seu cheiro atravessou minhas linhas de sensações.Seus olhos eram bem amendoados e chispantes,de um dourado escuro perceptível,parecendo esconder um cômodo passado racional nas retinas.Que até já havia consumido ou tentado esquecer os seus erros em outras e tantas viagens, mas acabou logo desistindo, porque tudo era um quê repentino e ficou incompreensível,de acolher rapidamente algo, entender algo,saber tudo;porque tudo no fim era em vão.
Um colar branco e longo se permitia até o decote negro,traduzindo e crescendo o célebre desejo nas minhas observações,e se possível dizer em maiores detalhes, justificavam muito bem os seios que se guardavam na roupa.
Rodava seus anéis nas pequeninas mãos com grande gracejo e calmaria,após isso,de saber dominar calada a soma e seriedade de sua vida;ia andando pela casa,admirando as pequenas peças que se abrigavam na estante, nos livros que eu sempre mudava de posição.
Como num rompante mágico me virava o rosto com grande sorriso,depois outro virar de rosto com uma curiosidade sugerida,e ela mal sabia;mais este meu coração já latejava tão forte,vivia de origens desconexas,era qualquer dizer de frases ou conversas retratantes na madrugada,que tudo ali me serviria de matéria pra ganhar seus caprichos-(sim, o pequeno músculo que bombeia reconhece e sabe)-queria interagir seu rosto de passagens e entendimentos e desejos, e eu contava isso aos poucos,num sentido especial,sem coincidências,no lado sedento e indiferente de mim na cama.
E quantas noites a insônia já havia me perseguido,e ficava numa angústia de horas a contemplar seu rosto como ponte para o meu sono.Eu desmentia todas as minhas camadas de ansiedade pro destino;pros hinos,porque o que contava em questão eram seus braços,seus instantes,nos meus desvarios visitantes que agradava.
Porque haveria de tudo em agir assim,um senhor capricho crescendo e tramando as essências e que já não dava mais pra esconder nada,desinibir o cinismo apertado que me punha em risco.Naquele momento eu não sabia explicar bem o que se passava,só sei que eu era apenas uma pessoa presa aos seus encantamentos,de tentar eliminar a absoluta fusão da alma,de clarear meus campos de perguntas,de libertar-me daquela redoma o qual me fazia escudo.
E ela vinha com sua calma e presença,de tocar-me à vontade com suas finas mãos ,e no meio módico das despreocupações,pedia pra passar hidratante corporal nas suas costas,num tom risonho e às pressas'Bem devagar,tá?' 'O que é isso?' 'É strawberries and Champagne!' Então eu me erguia de seu pequeno travesseiro rosa e ia conhecendo os seus ombros desnudos,vasculhando a ponta dos dedos sobre sua nuca suada,enquanto que sua face baixava entre os cabelos e se permitia ao descanso.
'Espere!' levantou-se breve e sem tirar-me o olhar,despiu-se da longa camisola negra que escondia bem a existência madura.
Voltou aos poucos com seu sorriso de: acusações, acontecimentos e interesses, ficou a imaginar...Coisa marota escancarando o espírito.Encarou-me com os amendoados vivos;com a fronte desesperada na minha direção.Vertigens,encanto natural de criança,instantes...Joelho sobre joelho foi investindo na cama, até chegar bem perto,manifestando vocabulários neutros,vocabulários aflitos.
'Agora tente esse aqui!É frapê de limão!'E me passou o outro hidratante, ajeitando o cabelo marrom até tomar forma de um pequeno rabo de cavalo,enquanto que eu acenava afirmativamente com a cabeça.Abracei suas panturilhas(duas colunas de certezas)-os pés tão suaves,as nádegas ao acaso brilhosas,e ela se debatia,comprimia às intempéries do prazer com grande lucidez.
'Your song' tocava ao fundo quando pegou-me pelo braço e como numa pequena sinfonia disse que me queria bem dentro dela,de não dizer nada,só estender-me convulso na carne,na inclinação de sexo e fronteiras de êxtases,de morder-lhe o flanco,maltratar suas costas com os marfíneos quentes.
Agnes ultrapassava sempre as minhas respostas,porque tinha propósito máximo e desafios,Agnes consumia o meu composto de criança servil e não dormia sem o seu travesseiro rosa.
Agnes ficou em mim como a natureza que reflito,e quanto de seu cheiro atravessou minhas linhas de sensações.Seus olhos eram bem amendoados e chispantes,de um dourado escuro perceptível,parecendo esconder um cômodo passado racional nas retinas.Que até já havia consumido ou tentado esquecer os seus erros em outras e tantas viagens, mas acabou logo desistindo, porque tudo era um quê repentino e ficou incompreensível,de acolher rapidamente algo, entender algo,saber tudo;porque tudo no fim era em vão.
Um colar branco e longo se permitia até o decote negro,traduzindo e crescendo o célebre desejo nas minhas observações,e se possível dizer em maiores detalhes, justificavam muito bem os seios que se guardavam na roupa.
Rodava seus anéis nas pequeninas mãos com grande gracejo e calmaria,após isso,de saber dominar calada a soma e seriedade de sua vida;ia andando pela casa,admirando as pequenas peças que se abrigavam na estante, nos livros que eu sempre mudava de posição.
Como num rompante mágico me virava o rosto com grande sorriso,depois outro virar de rosto com uma curiosidade sugerida,e ela mal sabia;mais este meu coração já latejava tão forte,vivia de origens desconexas,era qualquer dizer de frases ou conversas retratantes na madrugada,que tudo ali me serviria de matéria pra ganhar seus caprichos-(sim, o pequeno músculo que bombeia reconhece e sabe)-queria interagir seu rosto de passagens e entendimentos e desejos, e eu contava isso aos poucos,num sentido especial,sem coincidências,no lado sedento e indiferente de mim na cama.
E quantas noites a insônia já havia me perseguido,e ficava numa angústia de horas a contemplar seu rosto como ponte para o meu sono.Eu desmentia todas as minhas camadas de ansiedade pro destino;pros hinos,porque o que contava em questão eram seus braços,seus instantes,nos meus desvarios visitantes que agradava.
Porque haveria de tudo em agir assim,um senhor capricho crescendo e tramando as essências e que já não dava mais pra esconder nada,desinibir o cinismo apertado que me punha em risco.Naquele momento eu não sabia explicar bem o que se passava,só sei que eu era apenas uma pessoa presa aos seus encantamentos,de tentar eliminar a absoluta fusão da alma,de clarear meus campos de perguntas,de libertar-me daquela redoma o qual me fazia escudo.
E ela vinha com sua calma e presença,de tocar-me à vontade com suas finas mãos ,e no meio módico das despreocupações,pedia pra passar hidratante corporal nas suas costas,num tom risonho e às pressas'Bem devagar,tá?' 'O que é isso?' 'É strawberries and Champagne!' Então eu me erguia de seu pequeno travesseiro rosa e ia conhecendo os seus ombros desnudos,vasculhando a ponta dos dedos sobre sua nuca suada,enquanto que sua face baixava entre os cabelos e se permitia ao descanso.
'Espere!' levantou-se breve e sem tirar-me o olhar,despiu-se da longa camisola negra que escondia bem a existência madura.
Voltou aos poucos com seu sorriso de: acusações, acontecimentos e interesses, ficou a imaginar...Coisa marota escancarando o espírito.Encarou-me com os amendoados vivos;com a fronte desesperada na minha direção.Vertigens,encanto natural de criança,instantes...Joelho sobre joelho foi investindo na cama, até chegar bem perto,manifestando vocabulários neutros,vocabulários aflitos.
'Agora tente esse aqui!É frapê de limão!'E me passou o outro hidratante, ajeitando o cabelo marrom até tomar forma de um pequeno rabo de cavalo,enquanto que eu acenava afirmativamente com a cabeça.Abracei suas panturilhas(duas colunas de certezas)-os pés tão suaves,as nádegas ao acaso brilhosas,e ela se debatia,comprimia às intempéries do prazer com grande lucidez.
'Your song' tocava ao fundo quando pegou-me pelo braço e como numa pequena sinfonia disse que me queria bem dentro dela,de não dizer nada,só estender-me convulso na carne,na inclinação de sexo e fronteiras de êxtases,de morder-lhe o flanco,maltratar suas costas com os marfíneos quentes.
Agnes ultrapassava sempre as minhas respostas,porque tinha propósito máximo e desafios,Agnes consumia o meu composto de criança servil e não dormia sem o seu travesseiro rosa.
E lá vai a sessão de bizarrices...por:
Jordan Duailibe
aqui e agora,
segunda-feira, abril 18, 2011
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