quinta-feira, 24 de julho de 2014
Eram,por mais que não se permitisse,propaladas as suas histórias pelas serras extensivas e cerradas,onde o seu nome ganhava respeito com o sacolejamento do uísque em conversa de bar,entre conversas sérias e desconfianças;ninguém fazia ali,o mínimo papel de bobo,instituir paletó de madeira não agradava ninguém.
quinta-feira, 30 de janeiro de 2014
Maria Isabel
sábado, 16 de novembro de 2013
Vinho
quarta-feira, 17 de julho de 2013
(Horas vazias)
Nesse momento quando dei conta de mim,ainda exibia um certo sono,um clima tristíssimo invadindo minhas veias e peito,e que me remetia lançar os olhares e gestos vagos no decorrer das horas com grande lucidez,eu me sentia ilhado tentando compreender os seus entendimentos e apelos,tentando entender o meu rosto desconhecido e cansado.Abri então a pequena janela branca que dava pros fundos do prédio e onde ocorria a tradicional feira de
segunda-feira,mariscos era a atração principal do dia.
Acordara naquela manhã com meus fantasmas bem apresentáveis,descortinando sem mistérios cada atitude esquiva de levar o propósito da ligação mais à frente.Olhei em volta e tudo que via era apenas o telefone preto à espera,uma ou duas ligações quem saiba,em vez de esperar esse tremendo silêncio que seguia,tudo turbilhonando cedo na minha cabeça solitária,uma confusão de histórias e medo de perder seus sorrisos.
Examinei a carteira e ainda existia uma foto 3x4 dela, com os cabelos bem longos e negros,a boca ainda bem perdurante.
Eu nunca mais tivera contato desde aquela fatídica chuva,e este tempo incerto me carregando para tantas leituras,era uma fuga,um elemento castrador que alimentava o golpe da ausência.Vários livros espalhados e participativos pela cama,um cinzeiro vermelho e a antemanhã de frases que ainda me perturbava todo o pensamento.
A penumbra ganhando os quadros no quarto e que foi palco de tantas encenações de amor.Era a solidão do dia chegando mais intermitente,no interesse de ressentir os meus erros,de encontrar a minha cidade,acertar-me com o gosto de
vê-la novamente.
Rever este pouco que ainda me cabe nos ponteiros mortos,quando o cigarro alcançava apartamentos e o corpo apreendido por imagens e mundo supreendia,de tê-lo sido bem instantâneo e mágico,quando as risadas combinantes dominavam o espaço dos travesseiros.
A feira dava nova condição para rua larga onde os feirantes gritavam seus produtos,os carros passavam com certo cuidado e buzinas,e as pessoas maquinalmente despertas naquela alvorada, escolhiam frutas maduras para os filhos.
Eu mais ali adiante fiquei com as minhas dúvidas merecidas,faria ou não faria aquela ligação,ela receberia de antemão os meus pedidos de desculpas ou não...
sexta-feira, 12 de julho de 2013
O som do piano perdido
As ruas mal iluminadas contrastavam com a sobriedade das paredes cinzas da rua.
Cartazes de velhos shows ganhavam destaque com seus tons chamativos e escarlates,as letras garrafais assumiam suas linhas sobre o espaço do muro até a esquina onde ficava um velho bar conhecido da praça.
As retinas semi-abertas ganhavam o horizonte estranho,e a psicologia defasada do silêncio ardia incessantemente,tudo era um descontrole, uma tempestade involuntária de sentimentos rondando todo meu corpo.
tê-la de volta.
Uma alavanca destemida a abrir portas,uma saída que se punha na folha de papel.
sábado, 20 de abril de 2013
Condenação oportunista
Ora se via debruçado e bem calmo sobre o balcão,não limpara os óculos e se empertigava pouco pela guisa de consolo que o retrato exclamativo sobre a mesa transportava em inúmeras vontades,sabia que a saudade lhe invadia noites tremendamente cansadas e rascunhou perdões não ensaiados no cérebro curvando a cabeça provavelmente pro quinto andar do prédio em que esganiçava mudo o rematado ogro particular que vivia'talvez não saia para regar as plantas'disse em voz baixinha!Finais de semana apresentando-se tão negativos,nem mesmo seu canivete jurava uma imagem impassível golpeando o cedro com traços cirúrgicos precisos e curiosos,uma natureza de linhas secamente escritas e que relatava pelas esprimidas letras a esperança da serventia da boca viver novamente morada.
Olhou o relógio intrigado pelo que a vaidade queria,as luzes todas estavam apagadas e a única chama que resplandecia sobre seus olhos era um fósforo descoberto ao acaso no bolso da camisa cinza,queria ainda ter motivos para viajar à Paris ou matar de uma vez o uísque empoeirado que morria penalizadíssimo entre o veredito de Camões e grossos volumes de Quixote,já era um próprio descuido em ter tantas invencionices e tantas impressões tiradas pra compra de feira que nunca fez,o papel relatando incômodos valores na geladeira branca e nunca guardou qualquer semana pra arrancar este peso de consciência e ir pras ruas,quem saiba ter a chance mínima de encontrá-la com aquele vestido rosa que conhecia bem ao vê-la na praça comprando lírios ,praticamente descoberta de pieguices de pessoas que falam mal ou contentar-se com seus cabelos escovados num chapéu bem sugerido,uma gargalhada espontânea e entusiasmada chamando o taxista e pedindo mais tarde ajuda pra levar as compras.
Não queria mais ficar esperando aquela loucura de olhar por debaixo da porta pra perceber se havia algum recado,uma carta de amor,queria mesmo era acertar uma nova folha pras teclas e preparar uma história que agradasse,que rompesse a condenação oportunista que nunca quis causar e deixar de tamborilar as várias perguntas leiloadas sobre o esquecimento neutro.Aproximar às narinas pra tinta,tentar entender porque as máquinas de escrever estão morrendo em larga escala,imperceptíveis senhoras que venceram séculos e hoje se aposentam em decorações de salas íngremes.
Era um chamariz desconcertante observar a pálida janela descascada,absolutamente preenchida de vasos e verde e nada mais restringia a ordem dos excessos e o que era difícil não era a espera,era o frio ao redor e as teorias cochilando sobre as estantes,sobre os acordos do medos que não respeitavam calendários e coração.Havia escrito várias páginas que nunca viraram cartas e três rasgadas que arriscou xingamentos e curioso que imaginava ou tinha mera suposição de como ela tocaria àquelas plantas,acreditando ser uma nova criança e inventando frases afogueando pétalas e raízes respondendo bem por seus crescimentos,as mãos bem sinceras socorrendo os minúsculos galhos,assim sabendo o rosto e nada hesitando em acompanhar com destreza o mesmo embalo.
Examinava fio a fio e interrogava-se moralmente dizendo que a cada dia mais parecia com seu pai,o que nunca quereria abrigar tamanha incumbência já que era plausível a reposta e relação de dois planetas tão diferenciáveis.
Porém morava uma estação de orgulho com sua própria chave escapando pelos poros e mais tarde apressando a ideia de que a solidão fazia refeições diárias ali,bem presente e incitando seu espírito.
Cadê seus prováveis braços informando canções e mencionando que o café estava definitivamente bom? E suspeitando o próximo filme a ser assistido e porque não sai logo e examina a janela,não deixe acabar todas estas cigarrilhas apanhadas e cartas que esperam pela sua gentileza,forçar um confessar fatalmente rasgado sobre minhas olheiras e súplicas.
Por que não compreende?Vai molhar as plantinhas,enquanto fico seguido de minhas teclas provocando um estranho estalo nada combinativo pela musicalidade maquinal,entregando ao porteiro meu corpo na pasta e observando o quinto andar sem coisíssima alguma de abrir a loja,ainda é muito cedo e eu ainda quero uma visita,perceber teu leve acenar sem pressa entre as samambaias,não quero pensar que amassou outra carta,quero deixar tudo bem apurado como álbum de família.
sexta-feira, 7 de dezembro de 2012
Giuliana
Vestia regata branca e azul índigo,cabelos molhados que exploravam os ombros curtos,duas argolas prateadas na orelha,alguns discos de rock progressivo debaixo do braço e três cigarros no bolso direito.
Os olhos perdidos,cegos,mediante os vitrais escarlates que reinavam sobre os cantos da sala e sofás,a foto da namorada que continuamente causava reconstrução pro seu estar no mundo,uma impertinente sensação que lhe cobria o sossego do corpo,a arrumação dos móveis à antiga que ainda guardava da mãe;ali,naquele ponto incomum em que discorria suas ideias,sentou sobre o carpete felpudo e deixou a agulha estender-se pelas janelas retangulares,atingindo o orquidário caseiro,a mesa de jacarandá com fruteira e dois vasos de louça que a prima havia trazido de Belo horizonte,invadia as cores de Monet e Renoir,das botas e chinelos,dos livros espalhados pela estante e o cheiro de grama molhada após chuva.
As sofísticas frases que alimentavam a espinha dorsal e que apelava pra uma espécie de estranha tristeza, carregando na carne e assumindo um andar desenfreante e torto até a vitrina,correndo contra sua nuvenzinha de horrores e retirando dali uma agenda com capa de alumínio arranhada.Alguns cartões antigos,páginas depenadas sobre o qual a mão folheou à convite do passado sem razões,alguns dizeres escuros proferidos,corações pintados e ordenados nos números de datas,nomes riscados,baralho de frases,seta indicada com a palavra 'medo' na letra C.
Não obstante conversava com seus sorrisos sem respostas,em cada página e em cada lembrar perdido;um rejuvenescimento contínuo,declarado,exercitante, tudo certo na espinha dorsal que pedia flexibilidade e limpidez.
Foi em setembro de 1968,gravata borboleta tirada da gaveta pra uso no catecismo,do cheiro particular do Bobó de camarão de Dona Zinha que mexia com perpetração leve,cozinhando a mandioca no leite de coco e mais tarde sendo levado pro liquidificador,amarrava um guelê branco farto e penduricalhos de penas com cores vivas,cheiro bom que me falta ao estômago até hoje de Dona Zinha,depois o bolo de macaxeira ralada crua e a tapioca servida com café encorpado na mesa xadrez,trazia o bule fumegando e xícaras douradas,naquele verão de arder terra eu ia ao catequismo e furtava terrivelmente cajus do Dr.Mauro com Biné,perto de onde o sr. Nicolau com sua fastidiosa tarefa, arrebentava madeira pra juntar lenha e eu descobria o mundo pela fechadura do quarto de hóspedes, magnético.Era a mistura do profano e religioso,coisas que resgatavam a pequena agenda e música,desejos uniformes,desejos coibidos e virgens que selava meus teatros, comicamente.
Eu já passava para o terceiro disco e mais algumas páginas,como pôde ter ficado ali;por tantas e tantas passagens e eu nem sonhar em
tocá-lo?
estudos,derrotas,condenações,
postais,musicais,namoros,
telefonemas,fotos,fotos e fotos e eu tentava sequenciar o campo de infantaria dos atrasos,e analisava a agenda em entender suas empalidecidas folhas e seus sábados e seus casos, e eu nada de saber dizer,nada de melhor definir o demasiado descaso de jogá-lo de lado.
Porque tantos maltratos barulhentos rodeando os passeios,vozes altas arranhando os ouvidos,e linhas irresponsáveis que foram crescendo no somar dos anos,o mundo não lhe pertenceu,chegou tarde pra entender os comportamentos,as frustrações,o longínquo parecer da sabedoria.
E agora são outras águas que descem sobre sua cabeça,sobre os telhados de louça onde esconde a Monark laranja aposentada na garagem.
Das aventuras cortando o riacho da mijada da velha,sinuoso leito em que atirava pedras e confessava segredos pros Umbuzeiros afastados,por que tentar agradar e nunca vir uma resposta de consolo?De tentar ser amado,tentar ajudar,ser interessante?
Ainda dava tempo de chamar a Giuliana,esperar a sua companhia avançar e tomar os severos acertos e pegar a Monark e subir os terrenos ajardinados com ela,desfazer aquela atmosfera cinzenta e a música então girar como passista de escola de samba,e o torrencial vagarosamente conduzir-se pras montanhas e descerem em curvas caudalosas,por entre pedregulhos e galhos secos,e teimar nas investidas das pedaladas e esquecer a última vez que o arenito amarelo polido fechou no enterro do pai com coroas,a pedra tapando o rosto e a volta sem um porquê de palavras,foi nesse mesmo dia que conheceu Giuliana,tão poucas linhas de conversas e uma ausência de séculos até o próximo encontro,Giuliana tinha 12 anos e usava uma jardineira verde,eu carregava uma gaita e um bloco de notas e detestava a minha gravata,fomos apresentados sem cerimônias e entre cochichos,e desde então nunca esqueci o rosto da menina de jardineira verde.
E se ela atravessasse insipidamente aquele matagal do jardim, e combinasse o seu vestidinho azul e flutuante,e cortasse as flores e chegasse até a porta e tocasse a campainha,do seu jeito séria,porque ela sempre aparentava feição séria,porém eterno sorrisos cobriam suas maçãs; e que depois gerenciasse uma sutil atenção e repousasse a firmeza dos olhares pela sala que respirava músicas,e somente o coração sabia o quanto eu precisava da Giuliana,decididamente.
Giuliana toca a campainha,eu escondo de novo o caderno pra vitrina,saberá quantos verões eu não irei procurá-lo novamente.
quarta-feira, 22 de fevereiro de 2012
Blocos de concreto

sexta-feira, 26 de agosto de 2011
Dois quartos e uma solidão

segunda-feira, 18 de abril de 2011
Agnes

Agnes ficou em mim como a natureza que reflito,e quanto de seu cheiro atravessou minhas linhas de sensações.Seus olhos eram bem amendoados e chispantes,de um dourado escuro perceptível,parecendo esconder um cômodo passado racional nas retinas.Que até já havia consumido ou tentado esquecer os seus erros em outras e tantas viagens, mas acabou logo desistindo, porque tudo era um quê repentino e ficou incompreensível,de acolher rapidamente algo, entender algo,saber tudo;porque tudo no fim era em vão.
Um colar branco e longo se permitia até o decote negro,traduzindo e crescendo o célebre desejo nas minhas observações,e se possível dizer em maiores detalhes, justificavam muito bem os seios que se guardavam na roupa.
Rodava seus anéis nas pequeninas mãos com grande gracejo e calmaria,após isso,de saber dominar calada a soma e seriedade de sua vida;ia andando pela casa,admirando as pequenas peças que se abrigavam na estante, nos livros que eu sempre mudava de posição.
Como num rompante mágico me virava o rosto com grande sorriso,depois outro virar de rosto com uma curiosidade sugerida,e ela mal sabia;mais este meu coração já latejava tão forte,vivia de origens desconexas,era qualquer dizer de frases ou conversas retratantes na madrugada,que tudo ali me serviria de matéria pra ganhar seus caprichos-(sim, o pequeno músculo que bombeia reconhece e sabe)-queria interagir seu rosto de passagens e entendimentos e desejos, e eu contava isso aos poucos,num sentido especial,sem coincidências,no lado sedento e indiferente de mim na cama.
E quantas noites a insônia já havia me perseguido,e ficava numa angústia de horas a contemplar seu rosto como ponte para o meu sono.Eu desmentia todas as minhas camadas de ansiedade pro destino;pros hinos,porque o que contava em questão eram seus braços,seus instantes,nos meus desvarios visitantes que agradava.
Porque haveria de tudo em agir assim,um senhor capricho crescendo e tramando as essências e que já não dava mais pra esconder nada,desinibir o cinismo apertado que me punha em risco.Naquele momento eu não sabia explicar bem o que se passava,só sei que eu era apenas uma pessoa presa aos seus encantamentos,de tentar eliminar a absoluta fusão da alma,de clarear meus campos de perguntas,de libertar-me daquela redoma o qual me fazia escudo.
E ela vinha com sua calma e presença,de tocar-me à vontade com suas finas mãos ,e no meio módico das despreocupações,pedia pra passar hidratante corporal nas suas costas,num tom risonho e às pressas'Bem devagar,tá?' 'O que é isso?' 'É strawberries and Champagne!' Então eu me erguia de seu pequeno travesseiro rosa e ia conhecendo os seus ombros desnudos,vasculhando a ponta dos dedos sobre sua nuca suada,enquanto que sua face baixava entre os cabelos e se permitia ao descanso.
'Espere!' levantou-se breve e sem tirar-me o olhar,despiu-se da longa camisola negra que escondia bem a existência madura.
Voltou aos poucos com seu sorriso de: acusações, acontecimentos e interesses, ficou a imaginar...Coisa marota escancarando o espírito.Encarou-me com os amendoados vivos;com a fronte desesperada na minha direção.Vertigens,encanto natural de criança,instantes...Joelho sobre joelho foi investindo na cama, até chegar bem perto,manifestando vocabulários neutros,vocabulários aflitos.
'Agora tente esse aqui!É frapê de limão!'E me passou o outro hidratante, ajeitando o cabelo marrom até tomar forma de um pequeno rabo de cavalo,enquanto que eu acenava afirmativamente com a cabeça.Abracei suas panturilhas(duas colunas de certezas)-os pés tão suaves,as nádegas ao acaso brilhosas,e ela se debatia,comprimia às intempéries do prazer com grande lucidez.
'Your song' tocava ao fundo quando pegou-me pelo braço e como numa pequena sinfonia disse que me queria bem dentro dela,de não dizer nada,só estender-me convulso na carne,na inclinação de sexo e fronteiras de êxtases,de morder-lhe o flanco,maltratar suas costas com os marfíneos quentes.
Agnes ultrapassava sempre as minhas respostas,porque tinha propósito máximo e desafios,Agnes consumia o meu composto de criança servil e não dormia sem o seu travesseiro rosa.
sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011
Entendimentos

Havia esquecido filhos,dizeres,jornais,cartas.Um verdadeiro e absoluto mestre da solidão.Ou quem saiba ainda estivesse esperando àquela melhor impressão de floreios lhe surgir um dia,mais que ainda não havia aparecido,como anúncio de emprego no domingo.
Ele Pensava nisso enquanto jogava sozinho o cavalo no tabuleiro, e foi caminhando seriamente sua existência até a varanda ventilada, obedecendo os seus miúdos olhos claros pro sexto andar.
Ali enfiado entre dois travesseiros de pena brancos,confrontaria o seu pai cansado que voltava de alguma cervejaria.E se alimentava das pequenas impressões que o jazz acontecia.Ora despertava dentro dele esta escrita agonizante da saudade,parte de um sentimento que deixou e que vinha agora com um sentido confuso e especial,um gosto de imaginar como seus filhos estariam...Que fora tão desfavorável como pai...A música vem chegando com uma naturalidade bem oferecida,conversa a gravidade do tempo presente,e seu pai ainda permanece ali;dormindo os mais lindos sonhos no reinado de uma cama.Já era mais do que tempo para reformular sua cabeça,de encontrar-se publicamente com a senhora do sexto andar e lhe lançar um sorriso melancólico de trinta anos,trinta anos que divisou e impacientou a fala.Toma um banho,passa colônia francesa no corpo,se olha no espelho demoradamente,penteia os finos cabelos com certo ar de confiança,molha o rosto paradoxal e pesado,fica tentando se entender na linha incompreensível do ser,assobia em notas altas na saída de casa.
Se desloca com cem mil frases até o outro prédio.O porteiro pergunta pelo nome,ele responde: nome e sobrenome,faz-se então uma breve pausa e a porta elétrica se abre.Toma o elevador,a chave tetra gira duas vezes na porta,uma diminuta senhora perplexa e emocionada abre.Ele fica naquela manobra condenável de pensar o que dizer,convida-se pra entrar.Amanhã, seu pequeno porta-retratos prateado à altura da cômoda,terá um rosto novo pra viver entendimentos.
segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011
Pendências

segunda-feira, 31 de janeiro de 2011
Prato à minuta
Em certo momento deixei o carro cinza ali; bem perto do meio-fio no centro da cidade, e dividida por vários postes carcomidos e mal iluminados. O motor ainda ficaria ligado até o meu retorno,e eu teria que ser bem rápido,saltar como um gato e entregar o bilhete na portaria com grande fachada azul.Era um dia destes que chovia fortíssimo e logo mais tarde eu ficaria totalmente encharcado e emburrado com os contratempos dos pingos, o chapéu se perderia pros ventos estranhando a ideia de ser independente,desviando-se de prédios corpulentos e janelas degradês.
Na correria atropelava panfleteiros com seus videntes charlatões,mendigos pedintes com grande clemência condenatória,senhoras com seus redingotes bem vistos,cartazes e cartazes de políticos metidos em seus ternos italianos,transeuntes protegidos sobre as marquises largas,restaurantes com seus caríssimos clientes cheirando a sonetos.
Não tinha ideia do que viria depois dali,depois que o cheiro abafado da celulose do envelope saísse de minhas mãos e ganhasse outra,só saberia que uma lembrança ficaria aposentada na estante da sala e mais tarde pediria um prato à minuta...
quarta-feira, 12 de janeiro de 2011
Qualquer mensagem, embora não houvesse mais possibilidades

Exposição na assembleia Legislativa do Estado de São Paulo
Museu de Arte do Parlamento de São Paulo
Noite,23 de março de 1975,chove bastante neste verão.Os pingos que marcam o espelho d'água na calçada em pedra de cantaria,parecem moldar uma outra pessoa,um outro simbolismo coerente de mim.Àquele meu rosto que explode em círculos circuncêntricos perfeitos,na pequena poça marrom ovalada,reinando sobre os sacos de lixos orgânicos não sou eu, é um ser humano torto;mais enrugado e sem interesse que engaveta suas ruínas e pernas no apanhado de concreto.
Os meus pés decidem descansar sobre uma cadeira de madeira vermelha.No assento percebo pequenas lascas arrancadas com a ponta de um instrumento rudimentar.Eu não vejo nada em especial por esta madrugada calculista em que os bastidores dos olhos não velam nova histórias, não acham colinas gêmeas, não evidenciam aves de rapina assassinas sobrevoando as dunas temporãs, nem mesmo massa de pessoas sem assunto, conferindo seu dinheiro inseguro e aquela habitual conversa sobre o relacionamento.
Sim,neste provável labirinto eu aposentei o celular por dois dias,não que eu não quisesse entender certas ligações ou escutar a série de conselhos naturais que nos firmam na linha e questão de respeito/tempo,nada disso. Queria apenas adiantar e capturar meus elementos mais simples,os vestígios dos elos mais escondidos,certas coisas tácticas que a natureza suplica e não imaginamos porque a relação de fios e plasma é passaporte pra ignorância.A tecnologia muitas vezes roubou à nossa assistência de criatividades.A tecnologia nos deixa tão burros.E é por isso que o notebook vai cumprir com o mesmo papel,ficará também na mala do carro até segunda ordem.
A natureza me chama com uma intimidade decisiva,tenho vontade apenas de mar.
Foram estes mesmos tais dias em que o Old Parr serviu pra curar determinadas feridas,um xeque-mate no centro do meu coração.Todo mundo deve estar desesperado achando que algo aconteceu comigo e eu:(nem te ligo).Egoísmo da minha parte?Quem saiba!Talvez!Só não queria falar com ninguém,que respeitassem isso!
Ao menos eu deixei uma mensagem, como estes grandes suicidas clássicos que assim se perfazem:nada criticando a religiosidade ou as autoridades por seus temores, nada disso.Ali deve apenas existir uma linha clara,uma leve coerência ou vaga licença qualquer pros casos comuns.Ou nem isso;seria como os versos finais de Bandeira''A paixão dos suicidas que se matam sem explicação.''
É engraçado e até demasiado tarde perguntar tanta coisa,bater com força na porta que emperrou e hoje não faço mais. Mateus estaria de folga esta tarde,ele conhece este meu amparo negativo,e sabe muito bem onde encontrar-me. Dali há quatro dias eu casaria e tinha que ponderar sobre todos aqueles motivos,mas já não queria mais casar-me,já não queria mais aquela companhia e suas declarações brancas.
Os meu pés são mapas de segurança, eles é que me guiam por :restaurantes, cidades mortas, bares mesquinhos que não servem a última dose,drogas possibilitadas,bandidos conspirativos,putas cheirosas,praças com bustos sem nome,janelas sem flores,pessoas mal informadas querendo conversar política.
Dobrei a calça azul,joguei os sapatos ao longe, agora eles decoram as pedras pontiagudas do morro.Meus pés sabiam e já diziam,por aquele corredor de igreja eu jamais passaria.Mas fui entender isso tarde demais.É que antes não havia nada sobrescrito,nada que explicasse esta desarrumação de juízo.
O cheiro que provavelmente atravessa o pequeno beco direito e que me assusta,tem cheiro de bolo de mármore; minha mãe sempre preparava esse bolo quando eu ia pra escola.Eu tinha doze anos e assistia Gato Félix,e nunca houve combinação melhor do que esta;bolo de mármore e café.
Todo mundo se reunia na grande mesa forrada com toalha xadrez, Flor naqueles tempos adorava amarrar suas tranças em firmes e grossos cipós loiros, e bradava em bom tom que já estava na mesa.Cynthia sempre gostava do bolo também.Eu conheci a Cynthia num concurso de desenho,era pra quem melhor desenhasse o Félix.Acabei aceitando o segundo lugar com os traços do bichano,e ela tirou em primeiro.Nossos pais eram vizinhos,e meu pai gostava de fazer novas amizades com churrasco no domingo.Já Dona Greta,fazia teatrinho de fantoches com sua filha e os amiguinhos preenchiam toda a sala.Aos poucos a família (dela/minha) foram se conhecendo melhor.Sim meu caro leitor;Cynthia é minha noiva,sei que devia ter feito comentários,confirmar algumas coisas e votos na sala de jantar;qualquer coisa que ela melhor me exigisse,mas nada foi feito.
Ainda posso sentir a sua moradia de pernas no convite da cama,ela que agora com toda certeza do mundo deve estar me reprovando por horas!Com aqueles cabelos presos sempre à nuca,ela sempre gostou dos cabelos assim!E depois não conversaria muita coisa ao tirar os sapatos, apenas lentamente deitaria e surpreenderia minhas costas informando os beijos pessoais,que havia chegado em casa e evidentemente não ia querer dormir naquele grande espaço de tempo!'Você nunca cresceu mesmo né, seu grande idiota,sabe como ficou todo mundo?!O meu pai diversas vezes fôra ao IML,e eu gastei o dedo ininterruptamente apertando o send(vaso voando sem hesitar confirmando a tarefa de acertar-me a cara)...' E o Mateus que não chega,que tamanha demora é essa e ele sabe que eu estou aqui,é só pensar um pouco,reflita!A pintura de Deus carimba a sua identidade nos meus cristalinos,e eu posso respeitar com tamanha maestria suas tantas possibilidades!Está bem ali,originando os seus trabalhos com pincéis,naquele azul vivo que se esconde por detrás das rochas, diante das procelas rebentantes que acorda o limiar das margens,e eu nos términos contemplativos fechando a concha da mão para escutar melhor as ondas.
Mais outros copos me chamarão nestes campos argilosos que friamente não quero ordens,e meramente o covarde se afogará em Thomas Parr.
Queria ser um pouco como minha mãe,nos seus trinta anos de relacionamento sempre viveu bem,gostava de bordar e a casa era um significado de quadros.Deixou-me apenas um relógio e um cordão azul que carrego no pescoço.Retiro uma pequena foto da carteira,ali com cortes retangulares bem grosseiros de tesoura de escola, me apresenta uma Cynthia com aparelho e um bonequinho na mão.A seriedade então me refreia tudo,até mesmo na beleza de Deus.Por que não disse nada?Eu não necessito de tempo para estudar meus papéis,nem sou personagem material que recusa trabalhos!
Vejo Mateus à distância,ao lado dele está Cynthia,Mateus não entendeu nada mesmo!
sexta-feira, 31 de dezembro de 2010
Ensaios dos cotidiano

Ela avança uma coluna jônica e mais outra,faz-me dobrar todo o juízo pro leste,na divisão das prateleiras azuis de fotografia.
E fica assim com sua procura mais que paciente,ressalvando a fina postura egoísta dos ombros,ganhando os nomes em dourado no dedo indicador, nos caprichos das capas e dos volumes,em autores,em linhas,acolhendo alheia os olhares num vasto inquérito,na verdadeira cadeia de saudades,e quando se vê; já está revisitando seus velhos amigos.
Quem me dera conseguir atingir os trinta passos para o território desconhecido e roubar a bandeira bem escondida debaixo das pedras.Eu quero lançar os dados,seis?Beleza,avanço seis.
Me perpasso pro canto de Noel,e já sei o que ele me diria:"Linda pequena,Pequena que tens a cor morena,Tu não tens pena de mim,Que vivo tonto com o teu olhar,Linda criança,Tu não me sais da lembrança,Meu coração não se cansa,De sempre e sempre te amar..."Jogue os dados.Perca sua vez.Não acredito.Mais quem é aquele?Ei,Vai embora! Tire suas mãos do ombro dela,não dê este sorriso mais debochado.É algum amigo somente e está conversando e nada mais,daqui a pouco ele vai embora.Ah!olha lá o que eu estou dizendo?Apoderou-se de dois livros e já está saindo,isso,faça isso,vá pra direção do balcão que agora você me deixa mais aliviado.
Jogue os dados.Avance três passos.Me deparo com a sessão de culinária.Dali posso arriscar sua alma enérgica,cercada por uma fina voz que examina os recortes negros e que termina num queixo triangular pequeno. E a boca coberta por um pequeno brilho, parece revelar uma longa comitiva sentenciosa,quase me tirando todo o conforto,tirando meu ponto de lição pra outra prateleira.
Eu vou chegar ali pedindo informações, ela com certeza me ajudará.Me direciono para sua seção com as mãos no bolso e a fronte um pouco caída,escutando seus estudos numa confusão sentimental que me declara leves impulsos.Pergunto:
'An,poderia me orientar em algo?Eu não conheço quase nada de fotografia.'Ela reina num sorriso com uma estatística quase de poesia. 'Eu também não conheço muita coisa,sou apenas uma curiosa' Descubro então mais tarde que ela não é fotógrafa como achava,mas sim uma escultora. E ela descobre que eu não sou chef,mas sim jornalista.No domingo tiraríamos fotos no jardim botânico...
quarta-feira, 29 de dezembro de 2010
O velho boticário
(Ah!Não sei o porquê,mas leiam depois de beberem dois vinhos e pensarem na pessoa do Modigliani e o quanto ele representou pras cores...Ele foi muito mais abrangente do que este pintor chatíssimo Picasso!)O arrasamento da morte de meu tio ainda emergia alguns fantasmas e cogitações o qual não conseguia apagar da memória de forma alguma, e a cômoda mal alumiada e reta feita em art nouveau onde minha tia se pintava, foi logo prontamente vendida;após tal feito,pude então domesticar o sossêgo voluntário.
No início eu achei aquilo tudo uma tremenda loucura, pra mais tarde respeitar a sua prosa científica amadora.Naquele mesmo período acontecido eu despejei meu turbilhão de impaciências em muitos, comprei os sucessos e insucessos reprováveis do velho homem, vivi sem nenhum ato próprio,sem nenhuma teoria nova e a casa amarela sentia a comiseração de meus protestos incharem sobre as veias. Depois de quatro anos saudosos escreveu uma carta pra mim inquieto,contando que havia visto Mapinguary e que amava as ariranhas e as Samaúmas, e aprendera a fazer tapiri de duas águas com os Waimiri-Atroari,que tinha ouvido garrincha-trovão e até o raro uirapuru no meio da tarde. Também deixou dentro do envelope uma espécie de segunda carta,uma fórmula talvez; mas nada me dizia aonde estava e como estava. Meu tio só voltou mesmo pra casa quando completou oitenta e oito anos de idade precisamente. Conseguira cumprir com o seu triunfo de espírito cientificista, boticário dos índios,agora podia descansar sem maiores questionamentos.
Esquálido,com uma barba profética e uma demanda de vasilhames empilhadas num baú com selos,assim voltava a passos curtos.Mais tarde resolveu transformar a sala toda numa imensa boticaria ambulante.
Era um caso sério negociar com o barbudo,eu odiava ver tudo aquilo ali espremido na pequena estante branca.Pedir pra que ele guardasse suas pesquisas em outro lugar,seria o mesmo que um mouro discutir com um cruzado empunhando uma espada na altura do peito.Fora a zombaria dos amigos que sempre quando chegavam,perguntavam :Vai montar uma farmácia?Ou quem é o Robson Crusoé?!
No dia 22 de maio de 1995 ao findar o almoço,sentiu-se muito mal,redimiu-se com o altíssimo,abraçou o retrato da pessoa que mais amou na vida e morreu sorrindo.
Nada mais me concentrava na casa,nada.As minhas várias perguntas,a velha cadeira vazia que por diversos meses desenterrou os comentários mais irônicos de Robson Crusoé,nem mesmo os seus escritos presos no velho baú,nada e nada dava crédito pro ânimo.
Eu tinha que sair dali,já estava decidido 'Libertas Quae Sera Tamen.'
A nova casa tinha um roxo que talvez ele fosse adorar,com janelas bay window e varanda bem larga,própria pra plantar:romãzeiras,amores perfeitos,petúnias,jasmins do cabo,balsaminas.O piso de tábuas com verniz ainda mostrava bom acabamento,e o quarto tinha armário embutido e era bem arejado.Paguei a mudança,e abri o velho baú pesado,várias e várias cartas amarelecidas.Do tempo em que os dois ainda namoravam 'Me espere na avenida central,em frente ao Palácio Monroe,tenho que ser rápida pois o meu pai já está desconfiando de nosso romance...